Vacinas não irão conseguir parar a Covi-19 se as pessoas não confiarem nelas; entenda

As vacinas podem ajudar a deter a pandemia apenas se as pessoas confiarem nelas e quiserem ser imunizadas

de Redação Jornal Ciência 0

Vacinas seguras representam a maneira mais eficaz de restaurar a saúde e a segurança econômica interrompida pela pandemia de Covid-19.

Para ajudar a atingir essa meta, o governo dos Estados Unidos lançou a Operação Warp Speed, em maio, para acelerar o desenvolvimento e a fabricação de várias vacinas, com a meta de ter 300 milhões de doses disponíveis para a população norte-americana até janeiro de 2021.

A Operação Warp Speed está avançando nos testes clínicos de maneira contínua entre as fases e aumentando a capacidade de fabricação antes mesmo de saber se as vacinas funcionarão. Três vacinas candidatas estão atualmente em testes essenciais de Fase 3, com resultados iniciais esperados antes do final do ano.

Ao mesmo tempo, médicos, cientistas e o público estão cada vez mais preocupados com a velocidade com que as vacinas estão sendo desenvolvidas, bem como com a pressão política sem precedentes exercida sobre a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA – uma agência com a mesma função da ANVISA.  

Um dos casos mais recentes foi em torno das controversas autorizações de uso de emergência para tratamentos, que podem representar riscos indevidos para o processo de avaliação e desenvolvimento da vacina e, portanto, para a população.

Uma pesquisa recente relatou que cerca de 35% dos norte-americanos podem se recusar a receber uma vacina autorizada pelo FDA.

Apenas 22% dos entrevistados em outra pesquisa disseram que os EUA deveriam priorizar a disponibilidade de vacina antes que ela fosse totalmente testada, enquanto 64% favoreciam o teste completo, mesmo que isso significasse esperar mais tempo.

As vacinas contra a Covid-19 podem ajudar a interromper a pandemia apenas se as pessoas confiarem nelas e quiserem ser imunizadas.

E, como adverte um artigo publicado no Stat News (site voltado para assuntos de saúde), para ganhar e manter a confiança do povo, os governos devem garantir que três necessidades principais sejam atendidas antes de lançar qualquer campanha de imunização.

Em primeiro lugar, o artigo sugere garantir a transparência nas decisões das agências responsáveis pela regulamentação de medicamentos. Em segundo lugar, alcançar um controle de segurança ativo e robusto quando as vacinas forem implementadas e, em terceiro lugar, garantir que a distribuição e administração das doses sejam justas para todos.

Em entrevista ao portal Infobae, Laura Palermo, doutora em virologia e professora do Hunter College, de Nova York, explica que “as estratégias a serem tomadas vão depender muito da eficácia de cada vacina. Esperamos ter mais de uma vacina possível, cada indivíduo vai responder de forma diferente. Então, será preciso analisar a eficácia de cada vacina em um determinado grupo da sociedade. Uma única vacina, segundo a minha experiência, não vai ser o que nos salvará”.

E acrescentou: “Nesse ínterim, teremos que continuar com o distanciamento social e o uso de máscaras para evitar grandes infecções. Não sabemos exatamente a que velocidade o novo coronavírus faz mutação, mas isso pode ser um fator limitante, já que se esse vírus mutar, a vacina que é desenvolvida e implementada em 2021 pode não ser útil para a cepa viral que circulará em 2023”.

Também consultado pelo site, Esteban Lucas Figueroa, médico e professor da Universidade Católica Argentina, deu sua visão.

“A questão em relação às estratégias vinculadas à vacina não tem apenas uma resposta inequívoca. Tudo depende de como o vírus se comportará no futuro. Há muitas perguntas para responder. Quanto o vírus muda? As mutações o tornam mais ou menos virulento? Quanto tempo dura a imunidade natural da população?”.

“E, também, há perguntas a serem respondidas sobre vacinas, que tenham restrições diferentes (aplicação ou não em gestantes, crianças, pacientes com doenças pré-existentes, etc) e gerar diferentes estratégias de prevenção primária” acrescentou o especialista.

Fonte: Infobae Foto: Reprodução / Pixabay

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