Qual a distância máxima que o olho humano pode enxergar? A resposta é complexa!

de Merelyn Cerqueira 0

A resposta é fácil quando estamos em um ambiente de completo horizonte.

 

Nestas condições, em razão da curvatura da superfície da Terra, nosso alcance visual é de 5 quilômetros. No entanto, a acuidade da visão humana se estende muito além do horizonte. Se nosso planeta fosse plano, ou se estivéssemos em pé no topo de uma montanha, esse alcance poderia ser modificado. Isso porque, nessas condições, o olho humano seria capaz de ver centenas de quilômetros. Para se ter uma ideia, em uma noite escura, podemos ver a chama de uma vela, por exemplo, a 48 km de distância. 

 

No entanto, essa acuidade visual depende da quantidade de partículas de luz (fótons) que um objeto emite. O objeto mais distante visível a olho nu é a galáxia de Andrômeda, situada a 2,6 milhões de anos-luz da Terra. Logo, cerca de um trilhão de estrelas dessa galáxia, emitem coletivamente, luz suficiente para rebater em cada pedaço do nosso planeta.

 

Em 1941, um cientista chamado Selig Hecht, e seus colegas da Universidade de Columbia, fez o que ainda é considerado uma medição confiável do “limiar absoluto” de visão. Segundo eles, um número mínimo de fótons deve atingir nossa retina para suscitar uma consciência de percepção visual.

 

O experimento feito pelo grupo visou medir essa condição ideal. Dessa forma, foi dado aos participantes um certo tempo para se adaptarem à escuridão total de um ambiente. Logo, um flash de luz, com comprimentos de onda (azul-verde) de 510 nanômetros, foi usado como estímulo. Esta luz visava atingir a periferia da retina, as células bastonetes.

Os cientistas descobriram que, para os participantes do estudo que perceberam o flash de luz em mais da metade do tempo, foram necessários entre 54 e 148 fótons para atingir seus globos oculares. Com base em medições de absorção da retina, os pesquisadores calcularam menos de 10 fótons que, na verdade, foram absorvidos pelas células fotorreceptoras dos participantes. Assim, na concepção dele, a absorção de 5 a 14 fótons é capaz de dizer ao cérebro que algo pode ser visto.

 

No entanto, para perceber que uma luz distante é na verdade a forma de um objeto, os fótons precisam estimular pelo menos duas células cones – que são capazes de reconhecer as cores. Dessa forma, sob condições ideais, um objeto precisa subtender um ângulo de pelo menos um arco-minuto, ou 1/60 de grau, para estimular esses cones adjacentes. Por exemplo, 1 arco-minuto possibilita a visão de um objeto de 0,3 milímetros que está a 1 metro de distância.

 

Logo, em escalas humanas, um carro que está a 3 km de distância, por exemplo, será visto apenas como dois faróis, ao invés do veículo completo, pois, a distância implica na nitidez da forma.

[ Live Science ] [ Foto: Reprodução / Pixabay ]

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