O que aconteceria se de repente toda a água do mundo desaparecesse?

de Merelyn Cerqueira 0

Quando pensamos em fim do mundo logo vêm à cabeça imagens de asteroides caindo sobre a Terra ou ataques feitos com armas nucleares capazes de dizimar populações.

O fato é que, há muitas outras maneiras consideravelmente piores de orquestrar um fim do mundo.

Uma delas pode vir de algo que dificilmente colocaríamos em pauta quando o assunto é apocalipse: a água. Dito isso, considere este cenário: toda a água do mundo desaparece instantaneamente. O que aconteceria com o planeta? Poderíamos encontrar uma maneira para sobreviver a isso?

Neste cenário hipotético, a primeira coisa que notamos é que os rios, lagos, poças e oceanos desapareceriam completamente. Em consequência disso, toda a vida que outrora existia neles, dentro de poucas horas, morreria.

Os continentes em que vivemos, em pouco tempo se elevariam sobre esses vazios de terra recém-criados, um dos quais com cerca 3,8 quilômetros de profundidade (fossa das Marianas).

Pela falta de água, o Ártico, obviamente, deixaria de existir como tal, e o que haveria ali se assemelharia a uma série de fendas irregulares.

A Antártica, uma vez livre de suas camadas geladas, se tornaria um ambiente rochoso, estéril e cheio de montanhas e cânions. 

Os céus, por outro lado, não teriam mais nuvens e as chuvas, e a neve nunca mais apareceria. O mesmo aconteceria com fenômenos naturais como furacões e grandes tempestades. O clima seria dominado por padrões de ventos, e desertos de areia se espalhariam por toda a Terra.

Logo, o que antes era visto como um Planeta Azul, neste cenário seria considerado Planeta Marrom. Pela falta de água a vegetação certamente morreria, bem como toda a vida animal – incluindo os seres humanos. Embora tudo isso seja óbvio, há ainda outros acontecimentos a serem considerados.

Aumento do calor

Os oceanos são os maiores coletores de carbono do mundo. Embora consideremos a atmosfera e sua camada de ozônio como as maiores armazenadoras de gases do efeito estufa, a verdade é que eles estão, maiormente, presos nos oceanos. 

Tenha em mente que, só no século passado, essas gigantescas massas de água impediram que a Terra aquecesse cerca de 36°C. Agora, compare isso à cautela que temos para que essa temperatura média global não ultrapasse 2°C, conforme proposto pelo Acordo de Paris em 2015.

Planetas com muito dióxido de carbono, metano e pouca água experimentam maiores efeitos causados pelo aumento de temperatura.

Tome Vênus como exemplo, ele é geologicamente semelhante a nosso planeta, e há muito tempo, possivelmente houve água em forma líquida em sua superfície.

Isso, no entanto, claramente não foi suficiente para lidar com todo o dióxido de carbono presente em sua atmosfera, provavelmente vindo de antigas e poderosas erupções vulcânicas.

Parte desse dióxido de carbono foi absorvido pela água, mas, como o planeta ficou muito quente, a água acabou fervendo e evaporando para o espaço. Isso deixou Vênus com a aparência de um sumidouro gigante com apenas carbono em sua atmosfera.

Ele manteve esse aquecimento até atingir sua temperatura superficial artificial atual, de 462°C. Logo, sem a presença da água, nossa Terra sofreria um destino semelhante. Ainda, considerando que a vegetação também morreu, sem as plantas para converter dióxido de carbono em oxigênio, por meio da fotossíntese, o mundo aqueceria muito mais rápido.

Efeitos além da superfície

Para que não esqueçamos, grande parte da água da Terra não reside apenas na superfície. Muita coisa se esconde no subsolo, dentro da crosta terrestre e placas tectônicas que flutuam, se juntam e quebram.

Parte dessa água se esconde dentro do manto, junto ao chumbo superaquecido do interior do planeta que compõe 84% de seu volume. Tire essa água e a Terra se tornaria completamente irreconhecível.

Por exemplo, some o movimento dessas densas placas com a falta de água e sistema magmático da crosta, e haveria menos vulcões na Terra. 

Essencialmente, se a Terra perdesse toda a sua água, ela rapidamente se tornaria um mundo deserto superaquecido cheio de abismos de tamanhos de continente e, eventualmente, montanhas ridiculamente altas.

Fonte: IFL Science Fotos: Reprodução / Pixabay

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