Lago de até 750 milhões de metros cúbicos desaparece na Antártica em menos de uma semana

O lago era profundo e coberto de gelo na superfície e sustentado por grossa camada com 1.400 metros de espessura

de Redação Jornal Ciência 0

Um lago gigantesco, localizado na Antártica Oriental, desapareceu em menos de uma semana. 

As imagens de radar conseguiram mostrar aos cientistas o desaparecimento do lago que possuía entre 600 e 750 milhões de metros cúbicos de água. Não existe uma explicação científica oficial, mas os especialistas acreditam que a água foi drenada através da gigantesca Plataforma de Gelo Amery.

A teoria mais aceita é que o gelo abaixo do lago, que o sustentava, tenha sofrido fraturas e não suportado a pressão intensa da água líquida, de acordo com estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

“Acreditamos que o peso da água acumulado neste lago profundo abriu uma fissura na plataforma de gelo abaixo do lago, um processo conhecido como hidrofratura, fazendo com que a água escoasse para o oceano abaixo”, disse o principal autor do estudo Roland Warner, glaciologista (especialista em geleiras) da Universidade da Tasmânia, na Austrália, em um comunicado à imprensa.

Agora, onde existia um lago imenso, resta apenas uma cratera e uma camada de gelo superficial. Isso mostra aos especialistas novas evidências sobre a estabilidade de grandes corpos de gelo na região Antártica e os possíveis efeitos do aquecimento global neste processo.

Situada no Oceano Índico, a Plataforma de Gelo Amery é a terceira maior da Antártica, com algumas áreas atingindo 1.800 metros de espessura. Este lago estava situado no topo da plataforma, em um lugar onde o gelo tem mais de 1.400 metros de espessura.

Não é incomum ver lagos drenados através da hidrofraturas e, de fato, os cientistas identificaram muitas plataformas de gelo na Antártica que podem ser vulneráveis ​​a isso, mas não é esperado que isso aconteça em plataformas com espessuras enormes de gelo, o que deixou os cientistas surpresos.

Os cientistas vão usar os dados de satélites para entender melhor as informações coletadas e estudar a “morte do lago” que possuía nome oficial, ICESat-2.

“Uma vez que o derretimento da superfície nas plataformas de gelo pode causar seu colapso, o que leva ao aumento do nível do mar quando o gelo aterrado não é mais retido, é importante entender os processos que enfraquecem as plataformas de gelo”, disse Helen Amanda Fricker, glaciologista, do Scripps Institution of Oceanography, em nota.

Embora as bordas da Antártica — junto com o resto do mundo — estejam experimentando um calor sem precedentes, os pesquisadores ainda não podem concluir que as mudanças climáticas são responsáveis por este fenômeno em questão.

Certamente faria sentido, já que mesmo os lugares mais inóspitos da Terra estão sentindo o calor, com o Círculo Polar Ártico, por exemplo, experimentando temperaturas de até 48 °C recentemente, registrado na cidade de Verkhoyansk, na Sibéria.

Fonte(s): IFLScience Imagens: Reprodução / Universidade da Tasmânia

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