Estudo contesta que parasita encontrado em parte dos gatos provoque alterações psicológicas em humanos

de Merelyn Cerqueira 0

O Toxoplasma gondii, parasita e agente causador da toxoplasmose, até então, havia sido responsabilizado pelo aumento do risco de depressão grave, suicídio, esquizofrenia, alterações de personalidade e falta de controle de impulsos.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Acredita-se que até 50% da população já tenha sido afeta por ele. No entanto, esse parasita – que chega aos seres humanos geralmente através dos gatos de estimação (quando estão infectados pelo parasita), além da alimentação – não tem a quantidade de influência em nossos cérebros considerada anteriormente.

Essa afirmação foi feita em conclusão a uma pesquisa realizada por cientistas norte-americanos da Universidade de Duke e publicada pela PLOS One. “Nossos resultados sugerem que um teste positivo para anticorpos T. gondii não resulta no aumento da susceptibilidade a distúrbios neuropsiquiátricos, perda de controle de impulsos ou habilidade cognitiva prejudicada”, escreveram. “Essa é, de acordo com o nosso conhecimento, a avaliação mais completa possível da ligação entre a infecção pelo T. gondii e uma variedade de deficiências”, completaram.

Em pesquisas anteriores, cientistas descobriram que quando os ratos foram infectados pelo parasita, perderam o medo de urina de gato e apresentaram memória de trabalho deficiente. A partir disso, foi levantada a hipótese de que esses sinais eram responsáveis por ajudar o T. gondii a completar o seu ciclo de vida, o que fez os pesquisadores investigarem se algo semelhante estava acontecendo com os seres humanos.

Sendo assim, em 2012, a revista norte-americana The Atlantic, publicou um artigo chamado “Como seu gato está te deixando louco”, que delineava a pesquisa de Jaroslav Flegr, um biólogo evolutivo da Universidade Charles, na República Tcheca. De acordo com ele, a “toxoplasmose pode matar tantas pessoas quanto a malária, ou pelo menos até um milhão por ano”. Além disso, o biólogo afirmava que a toxoplasmose estava aprimorando as conexões entre os neurônios – mudando a resposta humana a situações assustadoras e a confiança nos outros – e contribuindo para acidentes de carro, autolesão, crimes, suicídios e distúrbios mentais, como a esquizofrenia.

No entanto, na recente pesquisa realizada pela equipe da Universidade de Duke, foram analisadas amostras de sangue de 837 neozelandeses com a idade de 38 anos. Desses, 28% eram positivos para a toxoplasmose. Foram analisados separadamente cada um dos indícios de deficiências, resultando em uma contestação quase completa de todas as significantes relações abordadas por Jaroslav Flegr.

A equipe sugere que a diferença entre esse estudo e o anterior é que, enquanto um testava isoladamente alguns impedimentos psicológicos, correndo o risco de seleção de certas correlações e distorção de resultados, o outro visou testá-los completamente. De acordo com a equipe: “Associações positivas foram relatadas em diferentes estudos, muitas vezes em amostras selecionadas ou clínicos. Por exemplo, um estudo analisará o link para a violência, um outro, a ligação com esquizofrenia, outro, a relação com a autolesão, e assim por diante”, afirmou a equipe.

Contudo, não devemos concluir que o T. gondii é seguro para seres humanos. Em mulheres grávidas e pessoas com imunidade baixa, por exemplo, ele pode causar uma doença muito grave e até mesmo a morte. Com base nas evidências disponíveis, também não seria sábio afirmar que o parasita não causa nenhum dano psicológico, mesmo com as conclusões tiradas pelo estudo. O que pode ser dito é que, metade das pessoas que possui gatos em casa poderia estar abrigando o parasita, que por muito tempo nos assustou com a ideia de que estava relacionado à loucura humana, mas que não está perto de ser totalmente compreendido.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Pixabay ]

Jornal Ciência