Jornal Ciência no seu WhatsApp

 

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Parasita é capaz de comandar o cérebro de peixes

de Julia Moretto 0

Se você tem aversão a parasitas, saiba há uma espécie de verme que se acopla dentro do globo ocular de um peixe e controla quando seu hospedeiro se esconde de aves ou se expõe para ser comido – tudo para beneficiar seu ciclo de vida.

Uma equipe liderada pelo Instituto Severtsov de Ecologia e Evolução em Moscou, na Rússia, descobriu que um parasita comum chamado Diplostomum pseudospathaceum desenvolveu esta forma de gerenciar seu ciclo de vida. O dito parasita depende de três animais diferentes para se desenvolver de ovo para adulto:

  • 1 – Ele acasala no trato digestivo de um pássaro, onde os ovos passam para a água com as fezes do pássaro.
  • 2 – As larvas eclodem dos ovos e procuram um caracol de água doce para penetrar, onde amadurecem e se reproduzem assexuadamente.
  • 3 – No próximo estágio de larvas, as formas de natação livre do parasita chamado cercárias, deixam o caracol e, em seguida, cavam seu caminho através da pele de um peixe para sua viagem final, que termina na lente do globo ocular do animal em um estágio chamado metacercária.
  • 4 – Um pássaro come os peixes e o ciclo recomeça.

Estudos demonstraram que o parasita pode afetar a visão do hospedeiro, fazendo com que os peixes tenham dificuldade de detectar predadores. 

Os pesquisadores que realizam este novo estudo não estavam convencidos de que havia muita evidência para isso, então em 2015 eles se propuseram a estudar os comportamentos da truta-arco-íris infectada (Oncorhynchus mykiss) com cerca de 25 peixes.

Embora a truta normalmente nade menos vigorosamente, um pesquisador encarregado de pegá-los com uma rede de imersão – sem saber quais peixes estavam infectados e quais não– achou os peixes infectados mais difíceis de pegar.

Ambos os comportamentos ajudariam a truta a evitar ser apanhada por um pássaro antes que o parasita estivesse pronto para a próxima fase.Embora o comportamento do hospedeiro tenha mudado, não parece ser devido a qualquer cegueira induzida.

“Em nosso estudo, as manipulações do comportamento do hospedeiro surgiram quando as metacercárias eram pequenas, e a incapacidade de visão do hospedeiro devido à formação de catarata era improvável”, escreveram em seu artigo de 2015. 

Agora, em seu estudo mais recente, a equipe percebeu que havia, na verdade, duas formas distintas de comportamento, muito provavelmente diferenciadas por mudanças na maturidade dos trematoda.

Até o momento, as evidências sugerem que os peixes estão sendo manipulados por seus pequenos parasitas para evitarem ser comidos enquanto jovens.

“Nossas descobertas sugerem que as larvas imaturas de D. pseudospathaceum induzem mudanças no comportamento do hospedeiro que podem protegê-lo da predação”, escreveram os pesquisadores em seu estudo de 2015.

Eles acrescentaram neste novo artigo que as metacercárias mais maduras podem mudar o comportamento da truta-arco-íris predispondo-a à predação aviária. 

O Toxoplasma gondii é um parasita unicelular que infecta os roedores e os transforma em suicidas amantes de gatos, mesmo muito tempo depois de os parasitas desapareceram. 

Um fungo chamado Ophiocordycepsunilateralis – conhecido por sua capacidade de transformar insetos em zumbis que se apegam ao material vegetal – é tão terrível no conceito que se tornou a inspiração para zumbis infectados por fungos em “The Last of Us.

Fonte: Science Alert Fotos: Reprodução / Science Alert

Jornal Ciência