Como o egoísmo pode beneficiar a sociedade?

de Merelyn Cerqueira 0

Um estudo publicado em 2010 na revista PLoS Biology sugeriu que o egoísmo, muita das vezes considerado um grave defeito, pode, de fato, beneficiar um grupo.

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Embora os resultados sejam baseados em experiências de laboratório realizadas em células de levedura, os pesquisadores acreditam que uma dinâmica semelhante possa ser observada nos seres humanos. A mensagem principal desses cientistas é que a Ciência não deve tomar como certa a suposição de longa data de que a cooperação seja melhor para todos, segundo informações da Live Science.

 

De acordo com um dos pesquisadores, Laurence D. Hurst, da Universidade de Bath, na Inglaterra, um dos fundamentos da teoria da cooperação foi removido, dando uma nova visão aos cientistas. Hurst e sua equipe trabalharam com duas linhagens de leveduras, divididas em “trapaceiras” e “colaboradoras”. As células de levedura cooperadoras produziam uma proteína chamada invertase, capaz de quebrar a sacarose – que é mais difícil de ser consumida por elas – em glicose e frutose (que são convertidas em energia para o crescimento da célula). As trapaceiras, por sua vez, não produziam a invertase, mas ainda utilizavam os açúcares quebrados pelas colaboradoras.

 

Após aplicar a sacarose nas leveduras, os pesquisadores foram em busca de populações que possuíssem uma mistura de ambas as linhagens. Eles também descobriram resultados semelhantes quando utilizaram uma simulação de computador para os cenários. Uma vez que o açúcar produzido pelas colaboradoras era quebrado em suas proximidades, ele não era utilizado de forma muito eficiente por elas mesmas. De acordo com Hurst, isso ocorre porque elas o fazem com tanta frequência, que se não se atentam a isso. Diferente disso, aquelas que viam menos glicose eram mais preocupadas com o aproveitamento dos recursos, “convertendo em crescimento a comida que lhes era dada”, disse.

Segundo ele, ter as trapaceiras por perto tornava os recursos mais escassos, ao passo que também impedia que as colaboradoras desperdiçassem comida. Logo, para Hurst, o mesmo poderia ser aplicado à nós. “Indivíduos com mais dinheiro e opções de comida em suas proximidades seriam mais propensos a deixar a metade de um hambúrguer não comido para uma pessoa com menos recursos”. 

 

Outra ideia envolve a existência de uma forma de ligar e desligar a produção de invertase. As células de levedura cooperadoras contam com os níveis de glicose para regular quando e quantas proteínas serão liberadas, mesmo quando a sacarose não está presente. Elas produzem essa enzima, mas não há nada para quebrar, então elas têm o custo de produzi-la de qualquer maneira”, disse Hurst.

[ Live Science ] [ Fotos: Reprodução / Mind Science ]

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