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Supervulcão na Itália pode ameaçar vida de 500 mil pessoas

de Julia Moretto 0

Uma caldeira de 12 km de largura que forma um vasto vulcão na costa da Itália está apresentando sinais de que irá despertar depois de quase 500 anos de inatividade.

Este supervulcão foi o responsável pela extinção dos neandertais, e atualmente há cerca 500 mil pessoas vivendo em torno dele. Os pesquisadores dizem que ele parece estar se aproximando de um ponto crítico de pressão que poderia levar a uma erupção. Os supervulcões são extensos campos de atividade vulcânica, formados quando um vulcão expulsa muito magma do seu centro. Ele desmorona sobre si mesmo, deixando uma vasta cratera e uma paisagem cheia de atividade hidrotérmica e ácido sulfúrico.

Campi Flegrei – em português, Campos Flégreos – é outra grande área vulcânica, localizada ao oeste de Nápoles, Itália. Com 24 crateras e grandes edifícios vulcânicos, a maioria está sob o Mar Mediterrâneo. O supervulcão foi formado há 39.000 anos, no maior episódio de erupção da Europa.

Desde sua formação, só produziu duas grandes erupções, uma há 35.000 anos e outra há 12.000 anos. Porém, uma pequena erupção ocorreu em 1538. Mas quando dizemos “menor”, tudo é relativo, já que esta erupção durou oito dias seguidos e eliminou muito material na área circundante, formando a montanha Monte Nuovo.

Embora a erupção que ocorreu há 200.000 anos tenha sido tão cataclísmica, um estudo de 2010 sugere que um “inverno vulcânico” levou à extinção dos neandertais. Enquanto a conexão do desaparecimento dos neandertais permanece um mistério, a erupção, que colocou para fora 3,7 trilhões de litros de rocha derretida na superfície não pode ser considerada a razão.

Essas áreas podem dar origem às únicas erupções que podem ter efeitos catastróficos globais comparáveis a grandes impactos de meteoritos”, disse Giuseppe De Natale do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália. Uma equipe liderada pelo vulcanólogo Giovanni Chiodini do Instituto Nacional Italiano de Geofísica em Roma informou que os Campos Flégreos parecem estar se aproximando de um ponto de pressão crítica que poderia desencadear outra erupção.

Este ponto de pressão crítica – que se refere à pressão crítica de desgaseificação (CDP) – poderia conduzir à agitação vulcânica para um estado crítico. De acordo com os relatórios da equipe, é liberando um jato de gás superquente na atmosfera, além de fluidos e rochas hidrotermais, causando possíveis erupções.

Rochas hidrotermais, quando aquecidas, podem perder a sua resistência mecânica, causando uma aceleração no sentido de condições críticas”, explicou Chiodini. Durante a última década, os Campos Flégreos passaram por uma “elevação”, ou seja, os gases voláteis estão subindo para a superfície em um ritmo acelerado. Em resposta a esta elevação, a Itália aumentou o nível de alerta de verde para amarelo em relação ao supervulcão.

Segundo Chiodini, dois outros vulcões ativos, Rabaul em Papua Nova Guiné e Serra Negra em Galápagos, mostraram aceleração na deformação do solo antes da erupção com um padrão semelhante ao observado no supervulcão italiano. Este é o momento em que o residentes próximos devem entrar em pânico? Ainda não, pois nesta fase é praticamente impossível prever o que vai acontecer.

Temos muitas incertezas e previsões de longo prazo. O processo que descrevemos poderia evoluir em ambas as direções: nas condições pré-eruptivas ou no acabamento da agitação vulcânica”, disse Chiodini ao The Washington Post. A pesquisa foi publicada na Nature Communications.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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