Raio em frente à Casa Branca mata 3 pessoas e deixa outra em estado grave; saiba como se proteger

Entenda os riscos de ficar em ambientes com árvores em dias de tempestade e como se prevenir de acidentes fatais

de Redação Jornal Ciência 0

Um raio caiu enquanto algumas pessoas visitavam o parque Lafayette Square, que fica em frente à Casa Branca, em Washington, EUA, no final da tarde de quinta-feira (04/08).

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Ao cair perto de uma árvore que ficava próxima a cerca que protege a residência do Presidente dos EUA, o raio atingiu um casal de idosos — Donna, 75, e James Mueller, 76 —, que tiveram a morte declarada na manhã seguinte.

Após algumas horas, outra morte foi anunciada, um homem de 29 anos — cujo nome não foi revelado para preservar sua imagem, já que a família ainda não havia recebido a notícia. As informações são do jornal The Washington Post.

Uma quarta vítima, uma mulher que não teve maiores detalhes divulgados, foi hospitalizada e está em estado grave, até o momento da publicação desta reportagem.

As imagens abaixo, divulgadas no Twitter da jornalista Lindsay Watts, são do canal de TV FOX 5.

O casal de idosos que faleceu estava fazendo um passeio para conhecer a Casa Branca, em comemoração aos 56 anos de casados. O governo estadunidense emitiu uma nota de pesar, lamentando as mortes e prestando solidariedade com as famílias.

Nos EUA, 23 pessoas morrem anualmente por raios. No Brasil, a situação é ainda pior. Somos considerados campeões no quesito raios. Os registros anteriores diziam 77,8 milhões de raios por ano, em média. Mas, em 2021 mais de 154 milhões de raios caíram em território brasileiro. Este número expressivo impacta diretamente nos registros, e a média brasileira subirá para 100 milhões por ano.

A cada 50 mortes por raios em todo o mundo, 1 é no Brasil. Em média, são 110 mortes e 200 feridos anualmente. Os prejuízos causados no país por conta dos raios são da ordem de R$ 1 bilhão. Os estados que mais sofrem incidência são Amazonas, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais e Tocantins.

A maior incidência de raios está diretamente conectada com as mudanças climáticas. Um estudo publicado na revista Science, em 2014, mostra que a cada 1ºC de aumento na temperatura, a incidência de raios aumenta em 12%.

As chances de alguém estar andando na rua e ser atingida por um raio é de 1 em 1 milhão. Mas, em locais descampados durante a tempestade forte, a chance é de 1 em 1.000. Isso mostra o risco e a necessidade de entendermos como nos proteger.

A principal medida de proteção dada pelos especialistas é ficar longe de árvores. Não fique embaixo delas. Não permaneça dentro d´água durante tempestades. Não fique perto de locais com pontos altos, como torres de transmissão, postes e estruturas metálicas.  

Se estiver em um campo aberto, faça do seu corpo uma “bola com pés”, ficando encolhido, de cócoras, com as pernas o mais juntas possível e não tocar as mãos no chão (ver imagem ilustrativa abaixo). 

Também é recomendado que, se estiver em grupo, procure se afastar. Isso minimiza os impactos e efeitos de um raio, caso caia nas proximidades. O próprio guarda-chuva é um atrativo para raios por ser um objeto metálico longo.

O local mais seguro seria embaixo de um prédio, de preferência os que contém para-raios. Metrôs e túneis também são uma boa proteção. Talvez, o local mais seguro de todos seja permanecer dentro de um carro — pelo famoso efeito chamado Gaiola de Faraday, onde a estrutura metálica protege você, por ser uma “caixa”, o mesmo efeito que acontece quando um raio atinge um avião sem causar danos.

Em casa, jamais use telefone com fio ou o celular ligado à tomada. Também é recomendado desligar eletrodomésticos da tomada, pois eles podem conduzir uma descarga elétrica e causar acidentes.

Mesmo em caso de choque por raio, há chances de sobreviver e estima-se que apenas 20% morrem, mas talvez mais pessoas pudessem ser salvas se fossem rapidamente atendidas, já que a morte ocorre frequentemente por parada cardíaca — por isso é tão importante a aprendizagem nas escolas das manobras de ressuscitação.

As descargas elétricas de um raio são, em média, de 30 mil amperes — equivalente a 1.000 vezes a intensidade de um chuveiro elétrico. A eletricidade pode percorrer uma distância de até 5 km, de acordo com entrevista de Mikiya Muramatsu, Física da Universidade de São Paulo ao site Mulher.

Fonte(s): Agência Brasil / SBFISICA / The Washington Post / Defesa Civil / Mulher Imagens: Reprodução / Twitter

Jornal Ciência