O que acontece com o corpo quando “congela até a morte”?

de Merelyn Cerqueira 0

Temperaturas mais extremas, em níveis de congelamento, podem de fato trazer grandes riscos para saúde.

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Porém, conforme reportado pela Oddity Central, a expressão “congelar até morte” não é exatamente precisa.

A morte acontece muito antes do corpo realmente entrar em completo estado de congelamento. 

Como possuímos dois mecanismos internos que ajudam a nos proteger das baixas temperaturas, nossos corpos são bastante resistentes ao frio.

Dessa forma, assim que um vento congelante bate em nosso rosto, a primeira resposta vem do sangue, que se move para longe da pele e outras extremidades, como mãos e pés, e se acumula no torso.

Este processo é chamado de vasoconstrição e ajuda a limitar a quantidade de calor que perdemos para o meio ambiente, conforme explicado pelo especialista John Castellani, do U.S. Army Research Institute of Environmental Medicine (USARIEM).

A segunda resposta são os tremores, que só são experimentados em grandes quantidades quando a temperatura do torso cai. Logo, segundo Castellani, essa temperatura anormalmente baixa experimentada pelo corpo é chamada de hipotermia, e as pessoas, em média, não costumam experimentar isso durante as temporadas de frio. No entanto, se você estiver molhado a história é diferente.

Nosso corpo tende a perder calor cerca de 25 vezes mais rápido na água do que no ar, de acordo com Michael Sawka, chefe do Thermal & Mountain Medicine Division, na USARIEM. Se estiver chovendo, as pessoas podem até mesmo desenvolver essa hipotermia em temperaturas acima de zero. Uma vez que a temperatura corporal, que normalmente é de 36°, cai, “coisas ruins acontecem”, disse.

Segundo Sawka, com uma temperatura de 32°C você pode experimentar amnésia; em 27°C, perda de consciência, e abaixo de 21°C, você pode sofrer uma hipotermia tão profunda que pode resultar em morte.

O recorde para a temperatura mais baixa registrada em uma pessoa viva é de 13°, que ocorreu após ela ser submergida em águas geladas durante um certo período de tempo. Por outro lado, queimaduras e ferimentos causados, por congelamento são mais comuns.

Os dedos das mãos e pés são os mais propensos a sofrerem com isso. Mesmo que os pés estejam protegidos por sapatos, a temperatura não vai aumentar. Ainda, se você suar, a umidade vai expelir ainda mais o calor para fora dessa região.

É necessário que a temperatura esteja muito abaixo de 0°C para que os primeiros sintomas de congelamento sejam observados.

“É preciso um clima com ventos frios e cerca de -9°C para que haja um aumento nos índices de congelamento”, disse Castellani. Por exemplo, com um vento frio de -28°C, você pode ser congelado em cerca de 30 minutos.

Em uma temperatura de -26°C, com ventos frios de -48°C, você pode sofrer queimaduras em apenas 5 minutos, de acordo com National Weather Service.

Apesar desses riscos, o corpo humano é capaz de se adaptar muito bem a ambientes de frio extremo, vemos isso com os montanhistas, exploradores do Ártico e pessoas que costumam nadar no Canal Inglês, que possui temperaturas muito baixas.

Segundo Sawka, essas pessoas se adaptam de tal forma que a retenção de calor ocorre de uma forma muito mais eficaz.

Fonte: Live Science Fotos: Reprodução / Live Science

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