Estudo sugere que ainda estamos passando pela Seleção Natural

de Merelyn Cerqueira 0

Um estudo realizado por pesquisadores Universidade de Sheffield, na Inglaterra, sugeriu que os seres humanos continuam a evoluir e que a seleção natural e a sexual ainda estejam ocorrendo em nossa espécie.

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Apesar dos avanços na Medicina e Tecnologia – bem como aumento da prevalência da monogamia – em 2012, a pesquisa revelou que os seres humanos continuavam a evoluir, assim como outras espécies.

Em colaboração com cientistas internacionais, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Sheffield analisou registros de cerca de 6.000 pessoas finlandesas nascidas entre 1760 e 1849, para determinar se as mudanças demográficas, culturais e tecnológicas (em relação à revolução agrícola) teriam afetado a seleção natural e sexual de nossa espécie.

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Uma das famílias finlandesas que fez parte da pesquisa.

O líder do projeto, Dr. Virpi Lummaa, do Departamento de Ciências Animais e de Plantas da Universidade, afirmou que de fato uma significativa seleção natural vem ocorrendo em populações mais recentes. “Indo além das pressões específicas, os fatores que fazem alguns indivíduos sobreviverem melhor ou terem mais sucesso em encontrar parceiros e reproduzir, mudaram ao longo do tempo e diferem entre as populações”, disse.

Ainda, assim como a maioria das espécies, os autores do estudo descobriram que homens e mulheres não são iguais em relação à seleção. “As características que aumentam o sucesso de acasalamento dos homens são mais susceptíveis de evoluírem mais rápido do que as que aumentam a chance de sucesso das mulheres”, disse o pesquisador Dr. Alexandre Courtiol, do Wissenschaftskolleg zu Berlin. “Isto ocorre porque acasalamento com mais parceiros foi provado aumentar o sucesso reprodutivo dos homens muito mais do que nas mulheres. Surpreendentemente, no entanto, a seleção afetou pessoas ricas e pobres na mesma medida”.

Estudar a evolução requer grandes amostras com dados individuais cobrindo todo o ciclo de vida de cada pessoa estudada”, disse Dr. Lummaa. “Precisávamos de conjuntos de dados imparciais que relatam os eventos de vida de todos os nascidos. Como a seleção natural e sexual age de forma diferente entre classes de indivíduos e em todo o ciclo de vida, nós precisávamos estudar a seleção respeitando estas características, a fim de entender como nossa espécie evolui”.

Como na Finlândia a ideia de árvore genealógica é muito popular, o país possui uma boa quantidade de dados disponíveis – graças aos registros detalhados da Igreja. Eles falam sobre datas de nascimento, óbito, casamento e status social, que eram mantidos para fins fiscais. A época escolhida, de 1760 a 1846, sugeria uma população consolidada e com regras rígidas a respeito da monogamia, divórcios e relações extraconjugais. Assim, os pesquisadores se debruçaram sobre quatro aspectos principais que afetam a sobrevivência das pessoas: quem viviam além dos 15 anos; quem se casava; quem se casava mais de uma vez; e quantas crianças nasciam em cada um dos casamentos.

Eles descobriram que quase 50% dessas pessoas morreram antes de completar 15 anos. De acordo com Dr. Courtiol, isso sugerem que eles possuíam características desfavoráveis, como uma maior susceptibilidade a doenças, por exemplo. Cerca dos 20% que conseguiram ultrapassar essa idade não casaram ou tiveram filhos. Mais uma vez, os cientistas sugeriram as características desfavoráveis impediram estes indivíduos de procriar.  A seleção sexual, por sua vez, favorecia alguns homens a atrair mais parceiras e também proles mais abundantes. A variação no número de filhos ficava entre 0 e 17, o que representava um bom terreno para a seleção natural ocorrer.

A importância da seleção sexual é amplamente aceita em aves e peixes, mas é a primeira vez que se constata esse tipo de seleção em humanos”, disse o biólogo Stephen Stearns, da Universidade de Yale, nos EUA, que não esteve envolvido no estudo – publicado em 2012 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

[ Science Daily ] [ Fotos: Reprodução / Science Daily / Pinterest ]

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