Este homem tinha tanta gordura no sangue que ele ficou branco e espesso; e isso quase o matou!

de Merelyn Cerqueira 0

Um homem de 39 anos na Alemanha tinha tanta gordura em seu sangue que este havia se tornado branco e espesso.

 

O caso bizarro, que foi descrito Annals of Internal Medicine, fez com que os médicos precisassem recorrer a um tratamento milenar para conseguir salvá-lo. O paciente foi diagnosticado com hipertrigliceridemia extrema, uma doença causada pela deficiência de LDL (colesterol ruim) e marcada por altos níveis de moléculas de triglicerídeos gordurosos no sangue.

 

Normalmente, os médicos tratariam a condição com uma técnica chamada plasmaférese, que extrai o plasma do sangue, removendo o excesso de triglicerídeos, retornando o sangue limpo e filtrado para o paciente logo em seguida.

Sangue de paciente alemão ficou branco como leite (FOTO: KOEHLER ET AL., ANNALS OF INTERNAL MEDICINE, 2019)

O problema, no entanto, é que quando os médicos do University Hospital of Cologne tentaram essa abordagem, o sangue do paciente saiu viscoso o suficiente para entupir o equipamento.

 

O caso foi descrito como bizarro pelos pesquisadores, que disseram nunca ter visto algo parecido antes. Então, tentaram uma abordagem diferente para reduzir o nível extremo e perigoso de gordura no sangue do paciente – que não foi identificado, para preservar sua privacidade.

 

Em uma pessoa saudável, o nível normal de triglicerídeos no sangue é inferior a 150 miligramas por decilitro (mg / dl), enquanto uma leitura alta seria entre 200 a 499 mg / dl e “muito alta” em 500 mg / dl. No caso do paciente alemão, a contagem foi de cerca de 18.000 mg/dL, algo 36 vezes maior do que o nível mais alto.

 

De acordo com os pesquisadores, ele relatou sintomas como náuseas, vômitos, dores de cabeça e agonia, todos associados a Síndrome de Hiperviscosidade, quando o sangue anormalmente espesso pode, em casos mais graves, desencadear convulsões e coma.

Uma transfusão de células vermelhas do sangue foram usadas para ajudar o paciente, além de outros elementos.

Quanto as causas, os pesquisadores atribuíram-na a vários fatores relacionados à obesidade, dieta, resistência à insulina e uma possível predisposição genética. Além disso, ele não estava tomando com regularidade a medicação para controlar a diabetes.

Logo, essa “cascata de eventos” e falta de comprometimento com a própria saúde, conforme sugerido pelos médicos, poderia ter desencadeado um cetoacidose, evoluindo para um caso particularmente grave. De fato, o paciente estava um ponto acima do estado vegetativo na Escala de Coma de Glasgow.

 

Quando os médicos descobriram que o tratamento convencional não seria uma opção viável, se voltaram para uma alternativa antiga, desacreditada e praticamente esquecida: a sangria, que desde os séculos XVIII e XIX não era utilizada. Basicamente, a técnica consiste em retirar o volume sanguíneo do corpo no intuito de curar algumas doenças.

 

No entanto, deve-se considerar que nos tempos mais antigos, a medicina era um conceito completamente diferente do que sabemos hoje, o que fazia da técnica apenas uma forma anacrônica de pseudociência – que mais fazia mal ao paciente do que bem. Mas, considerando a evolução da medicina e a urgência, como salvar a vida de um homem cujo sangue havia se transformado em gordura, ela pode ser bem útil.

Um diagrama do livro “The Field book of Wound Medicine”, de 1517, do cirurgião Hans von Gersdorff, ensinando a identificar as principais áreas de onde retirar o sangue para a prática da sangria.

Os médicos retiraram dois litros de sangue do paciente e substituíram-no por um suprimento concentrado de hemácias, plasma e solução fisiológica salina. O método reduziu com sucesso a gordura no sangue e no quinto dia de internação, ele já estava livre de sintomas neurológicos.

 

O que os médicos aprenderam com o caso é que curiosamente a sangria ainda pode preencher um nicho estranho na medicina do século XXI – quando não há outras opções disponíveis – mesmo que isso soe como algo medieval.

 

Se a plasmaférese não pode ser feita devido à extrema hiperviscosidade, nossa experiência demonstra que a sangria convencional com reposição de fluidos pode ser uma alternativa eficaz”, explicaram os médicos pesquisadores. “Até onde sabemos, este é o primeiro relatório a descrever este procedimento no mundo”, concluíram.

[ Fonte: Science Alert ]

[ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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