Cientistas afirmam que ovário pode gerar novos óvulos

de Julia Moretto 0

As mulheres já nascem sabendo que o tempo para ter um filho é limitado. Por esse motivo, a pressão do relógio biológico é muito pesada para algumas. Porém, um novo estudo descobriu que os ovários podem criar novos óvulos.

 

Se confirmado, isso poderia significar que as mulheres na pós-menopausa e aquelas com problemas de fertilidade podem ser capazes de dar à luz. O estudo recente foi baseado em pacientes com câncer, portanto ainda são necessárias novas pesquisas. Mas essa possibilidade pode derrubar a nossa teoria biológica reprodutiva atual e deixou os cientistas muito esperançosos.

 

Até o momento, o que sabemos é que os cientistas estudaram um pequeno grupo de pacientes com câncer e descobriram que mulheres que tomaram um medicamento de quimioterapia chamada ABVD, tinham uma maior densidade de óvulos do que mulheres saudáveis da mesma idade. Essa análise mostrou que a droga poderia estimular o ovário a produzir novos óvulos. 

 

Isso era algo notável e completamente inesperado para nós. O tecido parecia ter formado novos óvulos. O dogma é que o ovário humano tem número fixo de ovos e não que há novos que se formam ao longo da vida“, contou a pesquisadora Evelyn Telfer, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Mas ela acrescentou que ainda estamos longe de compreender totalmente o que está acontecendo. “Há tanta coisa que não sabemos sobre o ovário“, disse ela. “Temos de ser muito cautelosos sobre como passar para aplicações clínicas“.

 

A equipe conduziu o estudo após perceber que a droga ABVD não causava problemas de fertilidade em pacientes, ao contrário da maioria das outras formas de quimioterapia. Para descobrir o que estava acontecendo, fizeram biópsias dos ovários de 11 mulheres com linfoma de Hodgkin – oito estavam usando ABVD e três, uma combinação mais forte que causa infertilidade. As amostras foram comparadas com a biópsia do ovário de 10 mulheres saudáveis.

 

Surpreendentemente, as mulheres que tinham sido tratadas com ABVD tiveram de duas e quatro vezes mais a densidade de óvulos ​​em seus ovários do que as mulheres saudáveis. Já as que receberam a combinação de drogas mais forte tiveram resultados menores. Segundo Telfer, os óvulos das pacientes também pareceram “mais jovens“, como os vistos em meninas pré-púberes. Em contrapartida, eles não amadurecem como os das mulheres saudáveis. As pacientes com câncer que tomaram ABVD não relataram quaisquer problemas de fertilidade.

 

Essa é uma amostra pequena, por isso é difícil criar suposições sobre o que está acontecendo sem um estudo mais aprofundado. De acordo com Telfer, a quantidade e a aparência dos ovos das pacientes tratadas com ABVD mostra que eles crescem a partir de células-tronco no interior do tecido do ovário.

 

Dito isto, David Albertini, do Centro de Reprodução Humana em Nova York, que não estava envolvido no estudo, não se convenceu da resposta. “Honestamente, eu acho que existem muitas maneiras de explicar os resultados, uma das quais é que novos ovos foram criados“, disse Devlin. Algumas dessas outras explicações incluem a possibilidade de que os óvulos adicionais poderiam já estar lá, mas apareceram durante o tratamento. Outra possibilidade é a visualização de folículos existentes divididos em dois.

De acordo com Nick Macklon, professor de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Southampton, no Reino Unido, que também não estava envolvido no estudo, disse que o trabalho levanta mais perguntas do que respostas. Telfer e sua equipe apresentaram a pesquisa na Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia em uma conferência em Helsínquia, e planejam publicar os resultados em um jornal.

 

Até novas pesquisas serem feitas, nós não saberemos o que está acontecendo. Mas é evidente que essa hipótese muda a maneira que pensamos sobre a reprodução das mulheres. Isso sugere que o ovário é de fato um órgão mais complexo e versátil do que nos foi ensinado, com uma capacidade inerente de renovação“, comentou Kenny Rodriguez-Wallberg, do Hospital Universitário Karolinska, em Estocolmo, que não estava envolvida no estudo, em entrevista ao The Guardian.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Pixabay ]

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