Por causa de uma condição rara que impede que sintam dores, irmãos indianos comeram os próprios dedos

de Merelyn Cerqueira 0

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Manisha, 7 anos, e Dinkal Patel, 5, de Raipur, da Índia, foram diagnosticados com uma insensibilidade congênita que faz com que eles não sejam capazes de sentir dores.

 

Certo dia, quando os pais chegaram do trabalho, ficaram surpresos quando encontraram os dedos das crianças cobertos de sangue, pois eles os haviam arrancado sem sentir absolutamente nada. Apesar de terem nascido com a condição, os pais não tiveram ciência até o incidente dos dedos, e associavam a ausência de choros e reclamações a uma espécie de resistência.

 

A Insensibilidade Congênita à Dor (CIPA) trata-se de uma condição genética rara que faz com que uma pessoa tenha uma perda grave da percepção sensorial. As pessoas com essa doença são capazes de sentir o toque e a temperatura, mas não a dor.

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Uma criança pode acabar mastigando a os próprios dedos e língua, ou até mesmo se queimando sem perceber. Muitas vezes sofrem infecções ou lesões internas graves, que como passam despercebidas, acabam não sendo tratadas. Sendo causada por uma mutação genética que atinge o gene SCN9A, a CIPA também pode ser resultado do excesso de produção de endorfina no cérebro.

Em entrevista a uma repórter na Índia, o pai das crianças, Gopal Prasad Patel, de 32 anos, disse que chegou do trabalho e encontrou as crianças cobertas de sangue. “Eu não pude acreditar que eles estavam comendo os próprios dedos”, disse. “Era uma visão horrível, parecia que os dedos tinham sido mordidos por ratos”, acrescentou. Após isso, o pai levou as crianças para um hospital local. Chegando lá, descobriu que eles teriam de ser transferidos para outra instalação mais avançada, mas a família não pode pagar pelo tratamento.

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De acordo com Dr. Purnendu Saxena, cirurgião ortopédico do hospital onde as crianças estão recebendo um tratamento preliminar, a condição exige que os dois irmãos passem por um tratamento mais específico, que somente um hospital especializado, com uma estrutura maior e mais avançada pode oferecer.

Não sei como vou pagar o tratamento, mas eu simplesmente não consigo ver meus filhos nessa condição. Parte meu coração”, disse. A família, que nunca tinha ouvido falar da CIPA, acreditava que as crianças eram fortes ou corajosas, pois não choravam quando se machucavam. Segundo a mãe, Anita, de 28 anos, “desde que nasceram eles nunca choraram e eram incrivelmente resistentes à dor, mas esse incidente acabou revelando toda a verdade”, disse. “Agora que eu aprendi sobre isso, estou esperando ter ajuda de autoridades para conseguir o tratamento para os meus filhos”, completou.

[ Daily Mail / Uol ] [ Foto: Reprodução / Daily Mail ]