Técnica promete transformar olhos castanhos em azuis de forma definitiva utilizando apenas laser!

de Merelyn Cerqueira 0

Debaixo de cada olho castanho há um olho azul”. Estas são as palavras de Gregg Homer, inventor da primeira cirurgia estética não invasiva que promete transformar olhos castanhos em azul utilizando apenas laser de baixa energia.

O procedimento, conhecido como Stroma, está levantando discussões sobre potenciais efeitos colaterais, bem como problematiza a questão ética de realizar um procedimento eletivo apenas para mudar a cor dos olhos por razões estéticas. As informações são do Medill Reports Chicago.

Durante anos, as pessoas tentam mudar a cor dos olhos, desde procedimentos que envolvem cirurgias invasivas até lentes de contato coloridas. Seguindo este pensamento, a Strōma Medical Corp., com sede em Laguna Beach, na Califórnia (EUA), desenvolveu uma técnica que promete mudar a cor dos olhos.

No entanto, a empresa disse que ainda não tem planos de comercializar o método nos EUA.

Segundo Homer, presidente da Strōma e diretor científico, até o momento, cerca de 30 pacientes realizaram o procedimento, com nenhum efeito negativo relatado. A cirurgia envolve o estroma, que é a camada de tecido mais espessa da córnea e ocupa cerca de 90% de sua espessura total. Enquanto nos olhos castanhos ela frequentemente contém grânulos de pigmento escuro, nos olhos azuis e de albinos o pigmento é inexistente.

De acordo com Homer, durante o procedimento o paciente permanece sentado, descansando o queixo em um apoio e olhando em direção a uma pequena luz enquanto o laser trata a íris. O olho azul natural é revelado em cerca de 30 segundos, embora às vezes deixe um resquício de pigmento escuro ao redor do perímetro exterior da íris. Ele compara o resultado final aos olhos verdes de Sharbat Gula, uma mulher afegã que apareceu na famosa capa de uma edição de 1985 da revista National Geographic.

“É indolor, e não há um período de recuperação”, disse. “Os pacientes podem imediatamente dirigir e trabalhar. A mudança de cor total leva duas a três semanas e é permanente”.

Em um olho castanho escuro, uma fina camada de pigmento marrom cobre a íris, evitando que a luz crie uma coloração opaca. Já em um olho azul, as fibras de estroma na íris espalham a luz branca que entra, criando uma aparência translúcida e azulada.

O resultado da cirurgia é a remoção deste pigmento escuro para que haja o surgimento do estroma azul natural. O procedimento ainda está em ensaios clínicos e, portanto, não está disponível comercialmente em qualquer lugar do mundo. Uma data de lançamento também não foi divulgada.

Homer disse que o experimento irá envolver 100 pacientes, que serão acompanhados por um ano até que a tecnologia finalmente seja liberada. Ele afirmou que sua preocupação com potenciais riscos e danos envolve a destruição do pigmento natural da íris, que pode causar inflamação significativa, dano ocular, glaucoma e sensibilidade excessiva à luz.

Embora precise de uma aprovação da FDA (Food and Drug Administration) para comercializar sua cirurgia nos EUA, ele admitiu que planeja apenas a permissão do Conformité Européenne, para que possa aplicá-la livremente dentro do território europeu – e com o bônus de atingir muito mais países.

Ele enfatizou que não executará o procedimento em nenhum paciente, mas treinará e certificará médicos independentes para fazê-lo. Estes também serão responsáveis por estabelecer o preço da cirurgia, que não chegará a menos 5.000 dólares. Entretanto, alguns médicos criticaram a técnica.

Mark Sheldon, especialista em ética médica no Rush University Medical Center, em Chicago, apontou que a cirurgia é estética e “eletiva”. “O meu pressentimento é que uma cirurgia só deve ser realizada se não houver outra escolha”, disse.

Ele sugeriu ainda que as pessoas devem aprender a distinguir cirurgias plásticas, que se concentram na reconstrução do corpo de danos causados por queimaduras e outras lesões, e cirurgia estéticas, que são anunciadas por cirurgiões em revistas.

“Eles conversam com as inseguranças das mulheres”, disse. “Prometem um eu mais jovem e atraente. Estes cirurgiões cosméticos anunciam diretamente ao público. Eles ‘vendem’ coisas e não responde às circunstâncias dos seres humanos que estão lidando com doenças. Eles estão fora da medicina regular e eu diria que na verdade nenhum deles tem pacientes, mas sim clientes”, concluiu.

Fonte: Medill Reports Chicago Foto: Reprodução / Medill Reports Chicago

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