Pesquisadores descobrem um estranho lago escondido sob vulcão

de Julia Moretto 0

Os cientistas descobriram um reservatório de água escondido 15 km abaixo de um vulcão na Cordilheira dos Andes.

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A equipe acredita que possa haver mais lagos como este sob outros grandes vulcões ao redor do mundo – e eles poderiam ajudar a resolver o mistério de como e por que vulcões entram em erupção. A novidade foi descoberta quando uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, investigou uma “anomalia” que tinha visto abaixo do vulcão Uturuncu, nos Andes bolivianos.

Após um estudo, descobriram algo surpreendente: um corpo de água com um volume de cerca de 1500 mil quilômetros cúbicos – comparável ao volume do Lago Superior, o maior dos Grandes Lagos da América do Norte. Mas ao contrário dos lagos de água doce, o reservatório, que tem sido chamado de corpo de magma Altiplano-Puna, tem uma temperatura de quase 1.000 graus Celsius e é misturado com rocha derretida. Além disso, ele é capaz de criar um vulcão ainda mais explosivo.

É importante ressaltar que o corpo magma Altiplano-Puna parece abrandar as ondas sísmicas e conduzir eletricidade, ao contrário do magma circundante que não está misturado com água. Para tentar descobrir como isso funciona, a equipe estudou rochas de 500.000 anos de idade dissolvidas em água – nas mesmas condições observadas no vulcão. “Dez por cento em peso de água dissolvida significa que existe uma molécula de água para cada três moléculas de silicato“, explicou um dos pesquisadores, Fabrice Gaillard, da Universidade de Orléans, na França.

A equipe ainda não sabe por que a condutividade elétrica é tão importante ou como ela influencia erupções, mas afirma que a condutividade é semelhante à da zona vulcânica de Taupo, na Nova Zelândia, e ao vulcão mais mortal dos EUA, Monte St. Helens, em Washington. Os pesquisadores agora pretendem investigar se a condutividade pode ser observada em águas abaixo da superfície destes outros grandes vulcões.

É importante ressaltar que a pesquisa também estuda o complexo processo de quão profundamente a água interage na superfície da Terra e influencia a formação da crosta terrestre – algo que estamos apenas começando a entender. “Este estudo ilumina um novo recurso do ciclo de águas profundas da Terra, e nos lembra do quão pouco sabemos sobre o percurso da água através de sistemas de crosta e do manto da Terra em escalas de tempo geológicas“, explicou Steve Jacobsen, da Universidade Northwestern, em Evanston.

A pesquisa foi publicada na Terra and Planetary Science Letters.

[ Science Alert ]  [ Foto Reprodução / Albert Backer/Wikimedia ]

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