Jornal Ciência no seu WhatsApp

 

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Mosquitos da Dengue que não morrem com inseticidas são encontrados na Ásia, dizem cientistas japoneses

Os mosquitos sofreram mutações que permitem serem super-resistentes aos inseticidas convencionais; o caso é preocupante já que mesmo aumentando em 10x a dose tóxica, apenas 30% morreram. Outra marca de inseticida não conseguiu matar nenhum

de Redação Jornal Ciência 0

Cientistas japoneses publicaram um estudo na revista Science Advances que causa preocupação ao mundo após alertarem a descoberta de mosquitos da Dengue que não morrem com inseticidas convencionais.

Os mosquitos da espécie Aedes aegypti foram analisados por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, do Japão, e causam preocupação pelos dados encontrados.

O estudo coletou amostras do mosquito da Dengue de vários países, incluindo o Brasil. Ficou constatado que 78% dos encontrados no Camboja e Vietnã apresentam mutação chamada L982W — além de outras combinações de mutações.

A mutação L982W está diretamente relacionada com esta resistência aos inseticidas largamente usados em uso doméstico para matar mosquitos, moscas, baratas, e outros insetos.

A mutação L982W não é exatamente nova para a ciência, mas esta é a primeira vez que cientistas encontram taxas tão elevadas em mosquitos da Dengue — o que é preocupante.

No estudo, os mosquitos encontrados na capital do Camboja, Phnom Penh, demonstraram ter capacidade impressionante de resistência aos inseticidas — apenas 10% dos mosquitos morreram com um deles, enquanto outra marca não conseguiu matar nenhum.

Mesmo quando a dose tóxica de inseticidas foi aumentada em 10x, apenas 30% dos mosquitos morreram.

O alerta dos cientistas é que, mesmo a mutação tendo sido encontrada apenas no Vietnã e no Camboja, nada impede que a espécie mutante se espalhe para países vizinhos e até outros continentes.

Isso torna extremamente urgente a necessidade de cientistas encontrarem novos métodos de controle de propagação do mosquito, além de novos inseticidas, já que a conscientização da população em eliminar os focos é extremamente difícil.

O achado é especialmente preocupante porque o mosquito Aedes aegypti é vetor de transmissão para a Dengue, o Zika Vírus, Chikungunya e Febre Amarela. Os ovos da espécie são naturalmente resistentes, sobrevivendo meses em períodos de seca.

Se além da resistência natural de seus ovos, a espécie adquirir esta nova mutação, tornando-se “imune” aos inseticidas comerciais, poderíamos enfrentar tempos difíceis na saúde pública de vários países.

Estimativas atuais mostram que as infecções por Dengue aumentaram 30x desde 1970, mostrando que o mosquito está encontrando caminhos de resistir. São entre 100 e 400 milhões de infecções por Dengue em todo o mundo, anualmente.

“Nosso trabalho mostra que a evolução é uma força poderosa. O mosquito da dengue pode habitar qualquer lugar. Eles gostam de recipientes de água, como potes, copos e pneus usados. Acho impossível eliminar todas as vasilhas de água”, disse Shinji Kasai, autor do estudo, em entrevista ao jornal The Washington Post.

Fonte(s): Washington Post Imagem de Capa: Reprodução / Shinji Kasai

Jornal Ciência