Há uma maneira de deixar as pessoas mais inteligentes, mas ela envolve muitos riscos de segurança

de Merelyn Cerqueira 0

Conforme a Ciência evolui, aprendemos cada vez mais sobre nosso corpo, em especial o cérebro. Sendo assim, é seguro dizer que cientistas já são capazes de sobrecarregá-lo em regiões específicas que poderiam aumentar nossa capacidade mental.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Basicamente, a estimulação cerebral envolve segmentar regiões específicas do cérebro com pulsos elétricos ou magnéticos, acalmando alguns processos mentais e ativando outros. Esse processo não é nenhuma novidade para a Ciência: há pelo menos 15 anos, neurocientistas têm experimentado diversas formas de tentar promovê-lo. Porém, devido ao maior conhecimento disponível e à crescente capacidade de alguns dispositivos, o método está mais acessível no que nunca.

Esse tipo de técnica tornou-se tão popular que, no início deste mês, um grupo de pesquisadores publicou uma carta aberta na revista Annals of Neurology alertando usuários DIY (capazes de realizar o método em casa) sobre os riscos que envolvem a estimulação cerebral.

Entre elas, está a preocupação de estimular regiões do cérebro de forma não intencional. Outro fator é que há diferentes reações aos estímulos, dependendo do que está acontecendo no momento. Por exemplo, se você ler um livro, seu cérebro fará coisas diferentes do que se estivesse vendo TV ou jogando videogame. O mesmo ocorre com os pulsos, que podem ter efeitos diferentes dependendo do que está acontecendo em seu cérebro.

Eles afirmam que impulsionar uma habilidade inesperada vem com a troca de outro processo mental, então algo fica sacrificado. Dessa forma, eles querem alertar as pessoas de que não devem tratar essas coisas de forma leviana ou tentar brincar com isso. O procedimento é perigoso.

Há realmente evidências de que a estimulação possa melhorar a memória, o reconhecimento de padrões, foco, habilidades matemáticas e muito mais. Além disso, a pesquisa em questão mostrou que ela também pode melhorar o desempenho atlético, diminuindo o cansaço das pessoas. No entanto, essa é apenas a ponta do iceberg do que sabemos sobre os benefícios, que de fato podem fazer diferença.

De acordo com os cientistas Ruairidh Battleday e Anna-Katherine Brem, de Oxford, que pesquisam técnicas e medicamentos que podem aumentar a capacidade cerebral, em entrevista à Tech Insider, de fato, estímulos elétricos e magnéticos “mostram uma melhora promissora das funções cognitivas”. Entretanto, ambos explicaram que apenas uma pequena parte desses estudos centrou-se sobre o que esse tipo de estimulação faz com pessoas saudáveis. Logo, ainda há muito mais para se aprender nesse campo.

Do ponto de vista médico, os cientistas descobriram que a estimulação cerebral pode ajudar no tratamento de depressão, ansiedade e outras desordens psicológicas. Porém, por enquanto, a maior parte dos esforços para segmentar regiões específicas do cérebro não é muito precisa. Dessa forma, apesar de fascinantes e intrigantes, eles também são preocupantes.

Outra questão envolve a desenvolvimento mundial, que nos força a pensar sobre quem deveria ter acesso a tal método e como uma sociedade justa funcionaria com essas ferramentas dispostas em um cenário de ampla utilização. Muitas pessoas podem não querer se submeter aos riscos envolvidos, mas a maioria adoraria ter uma chance de ser mais inteligente. O fato é: a melhora cognitiva está pronta para transformar a sociedade, mas não sabemos se é para melhor ou pior.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Human Connectome Project ]

Jornal Ciência