Cientistas ficam surpresos após brotarem sementes de 2.000 anos encontradas em ruínas romanas

Uma equipe de pesquisadores resgatou as sementes que estavam escondidas nas ruínas de um antigo forte romano

de Redação Jornal Ciência 0

Uma árvore frutífera lendária foi cultivada a partir de sementes com mais de 2.000 anos. Dois cientistas e suas equipes conseguiram cultivar tamareiras a partir de sementes encontradas em potes nas ruínas e cavernas do forte romano de Massada, em Israel, construído no ano 30 a.C. pelo rei Herodes, o Grande.

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O feito notável confirma a viabilidade a longo prazo dos grãos das famosas tâmaras suculentas da Judéia, uma safra perdida há séculos. Os resultados tornam a experiência um excelente feito para estudar a longevidade de sementes de plantas.

Como relata a Science Alert, a partir desses brotos de tamareira, os pesquisadores começaram a descobrir os segredos das práticas de cultivo altamente sofisticadas que foram elogiadas por Heródoto, Galeno e Plínio, o Velho.

“O presente estudo lança luz sobre as origens da tamareira da Judéia, sugerindo que seu cultivo, que se beneficia de populações orientais e ocidentais geneticamente distintas, surgiu de variedades orientais locais ou introduzidas, que só mais tarde foram cruzadas com outras variedades”, disseram os autores do estudo.

Os cientistas selecionaram 34 sementes que consideraram as mais viáveis. Uma foi separada como controle enquanto as 33 restantes foram cuidadosamente embebidas em água e fertilizantes para estimular a germinação. Ao final desse processo, uma delas estava danificada, mas 32 sementes restantes foram plantadas.

Destas, 6 germinaram com sucesso. Elas receberam os nomes Jonas, Uriel, Boaz, Judith, Anna e Adam. Em 2008, os mesmos pesquisadores tentaram germinar as sementes, mas conseguiram apenas uma única muda, chamada de Matusalém em referência à sua idade.

Agora, com as plantas em mãos, os cientistas puderam realizar várias análises e testes. Primeiro, eles coletaram fragmentos das cascas das sementes presas às raízes das plantas. Eles eram perfeitos para datação por radiocarbono, que confirmou que os grãos datam de 1800 a 2400 anos atrás.

Os pesquisadores puderam então realizar análises genéticas nas próprias plantas, comparando-as com um banco de dados genético das palmeiras atuais. Isso mostrou trocas de material genético de tamareiras do Oriente Médio e tamareiras do norte da África.

Isso sugere práticas agrícolas sofisticadas, como reprodução deliberada para introduzir características desejáveis ​​nas árvores cultivadas.

Descritas por escritores clássicos como Teofrasto, Heródoto, Galeno, Estrabão, Plínio, o Velho e Josefo, essas valiosas plantações produziram tâmaras atribuídas a várias qualidades, incluindo tamanho grande, benefícios nutricionais e medicinais, doçura e longa vida útil, o que permitiu serem exportadas para todo o Império Romano, indicaram os especialistas.

Várias tâmaras são descritas desta época na região da Judéia, incluindo escrituras dos tempos antigos que mostram que a variedade Nicolai possuía tamanho inacreditável de 11 centímetros de comprimento.

Na verdade, os pesquisadores descobriram que as sementes antigas eram até 30% maiores do que as sementes de tâmaras de hoje, o que provavelmente significava que a fruta também era maior.

Não está claro, cientificamente, como as sementes puderam permanecer 2 milênios intactas, sem serem destruídas por fungos e bactérias. Caso os pesquisadores consigam descobrir a resposta, o estudo pode significar a descoberta de algo incrível e importante para a agricultura de todo o planeta.

Em diversas escrituras mostram a existência de gigantescos bosques de tâmaras, que foram diminuindo gradualmente após a queda do Império Romano.

As tâmaras da Judéia ainda foram cultivadas no século 11 d.C., mas antes do século 19 os bosques haviam desaparecido completamente. Agora, essas frutas famosas podem retornar, pelo menos para fins científicos.

Fonte(s): La Nacion Imagens: Reprodução / La Nacion

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