Obturações dentárias podem aumentar o nível de mercúrio no sangue

de Julia Moretto 0

Uma nova pesquisa, publicada na Ecotoxicology and Environmental Safety, traz más notícias para quem tem  dentárias metálicas: ter mais de oito preenchimentos pode contribuir para níveis mais elevados de mercúrio em nossa corrente sanguínea. 

 

Segundo uma análise com cerca de 15.000 voluntários mostrou que as pessoas com oito obturações de metal na boca têm cerca de 150 por cento mais chances de apresentar mercúrio em seus corpos. “Eu acho que a maioria das pessoas já fez obturações dentárias, mas o tipo de material que o dentista usa não é algo discutido“, comentou um dos pesquisadores, Lei Yin, da Universidade da GeórgiaSegundo Yin, o amálgama dental, material de cor prata, tem sido o padrão para obturações dentárias durante os últimos 150 anos, porém ele possui 50% de mercúrio.

 

Altos níveis de mercúrio podem causar uma série de doenças e afetar órgãos como, cérebro, coração, rins, pulmão e o sistema imunológico, segundo a equipe. Mas o teor de mercúrio não tem sido levado a sério nas obturações dentárias, já que elas não causam problemas graves. “Como toxicologistas, sabemos que o mercúrio é um veneno, mas tudo depende da dose. Então, se você tem uma obturação, talvez não esteja em risco“, comentou o membro da equipe Xiaozhong ‘John’ Yu. “Mas se você tem mais de oito obturações dentárias, o risco é maior“, completa.

 

Para testar isso, a equipe analisou dados de 14.703 pacientes do Nutrition Health Examination Survey (NHANES). Eles compararam a quantidade de obturações de cada indivíduo com os seus níveis de mercúrio na corrente sanguínea. O objetivo do estudo era encontrar especificamente o metil-mercúrio, que é o tipo mais tóxico. No final, eles descobriram que aqueles com oito obturações tinham 150 por cento mais mercúrio no sangue do que os voluntários que não as tinham.

 

A equipe diz que essa foi a pesquisa mais completa sobre o assunto, já que fatores como idade, sexo, raça, tabagismo e consumo de frutos do mar, foram levados em conta – todos podem contribuir para os níveis de mercúrio. Porém, os cientistas não sabem explicar como o mercúrio está migrando para a corrente sanguínea.

 

De acordo com o National Capital Poison Centre (NCPC) dos EUA, o mercúrio é geralmente inofensivo quando ingerido em doses baixas, porque nossos estômagos se recusam a absorvê-lo. O perigo real é quando o mercúrio é inalado, permitindo-lhe cair rapidamente na corrente sanguínea. “Ao ser respirado, os vapores de mercúrio metálico são rapidamente absorvidos pela corrente sanguínea“, disse um funcionário do NCPC. “O mercúrio traz riscos para todos os órgãos do corpo, mas apresenta perigo para o cérebro e os rins. Pode passar através da placenta para a circulação fetal e passa para o leite de mulheres que amamentam“, completa.

É preciso realizar mais pesquisas para descobrir exatamente como as restaurações de amálgama podem aumentar os níveis de mercúrio na corrente sanguínea. Outras opções, como resina, podem ser uma alternativa, embora a equipe esteja investigando se ela aumenta os níveis do disruptor bisfenol A (BPA) no corpo.

 

É importante que os médicos e os pacientes sejam informados“, conclui Yu. “Agora temos um excelente ponto de partida para avaliar o risco potencial de material odontológico na saúde humana“, completa.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Flickr

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