Mãe denuncia racismo em livro didático de escola privada em Recife

de Julia Moretto 0

Mãe de uma criança de 3 anos que estuda em uma escola particular de Recife, em Pernambuco, denunciou um livro didático, da editora Formando Cidadãos, por racismo.

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No conteúdo, um dos exercícios pedia para que as crianças circulassem o lar em que as pessoas estão felizes.

No enunciado, há famílias sentadas à mesa, sendo que a de cor branca estava feliz e a de cor negra, triste.  Em outro exercício, o aluno precisa ligar cada personagem a suas respectivas profissões.

O único personagem negro aparece com uma vassoura na mão e é ligado ao desenho de um corredor com uma pá e um balde. Já os outros dois personagens – de com branca – são ligados a uma mesa com computador e a uma sala de aula.

Segundo a editora, a mulher analisou apenas duas atividades do livro e que em outras páginas, há exemplo em que os negros são os “protagonistas”. Quem realizou a denúncia foi Aline Lopes, em seu perfil do Facebook.

Ela disse que nunca se sentiu excluída ou socialmente privada devido a sua pele clara. Porém, ela tem dois filhos negros e começou a sentir o peso do racismo dentro de casa.

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“Desde então, eu tenho de lidar com coisas desagradáveis, com as quais nunca passei na minha infância. Já teve professora que prendia o black da minha filha na escola. Já teve coleguinha discriminando. Agora, teve livro perpetuando o negro sempre na pior representação possível. O negro triste. Feio. Servente. Nunca é o negro médico, professor, advogado”, disse a mãe, em seu Facebook. De acordo com Aline, a escola em que os filhos estudam já está tomando providências sobre o caso. Ela preferiu não divulgar o nome da instituição.

“Todo livro tem uma equipe que lê e relê o conteúdo didático que será publicado. Por que isso não foi revisado antes de chegar nas mãos do estudante? É preciso ter noção. Essa publicação é para um público vasto de alunos. Isso não poderia ter passado. Nas escolas particulares também existem alunos negros”,relatou a mãe.

Aline disse que não há problema com a profissão, mas ela questiona a razão de sempre ser associada a negros. “Não acho certo diminuir o papel do negro. Isso é complicado, principalmente no material didático. É um absurdo. Esse conteúdo é muito usado em várias escolas particulares e nada, até hoje, foi feito. São anos de racismo e não de um ato falho”relatou.

A editora

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Paulo André Cavalcante Leite, gerente administrativo da editora Formando Cidadãos, defende que não há preconceito no material. Segundo ele, o livro está no mercado há quatro anos e nunca houve nenhum problema. 

“O livro não é composto por uma página, a coleção conta com mais de 12 mil páginas, em 148 livros didáticos e literários para crianças de 2 anos até 14 anos. Ela (a mãe) está se pautando em apenas duas atividades.

Nesta mesma coleção, existem outras imagens onde o negro é o protagonista da cena, como professora negra e bailarina negra. Se houvesse algum tipo de racismo, com uma obra sendo trabalhada há quatro anos, já teria alguma reclamação”, esclarece Leite.

Paulo relatou que em 2018, a editora reformulará o conteúdo para não acontecer mais esse tipo de problema. No Facebook, a instituição abomina qualquer tipo de intolerância e preconceito e diz que todo o material é representativo em relação às etnias.

Fonte: DCM Fotos: Reprodução / DCM

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