Faraó Amenhotep III: Rosto do homem mais rico da história do Antigo Egito é recriado por designer brasileiro

Apesar de ser o faraó com a maior quantidade de estátuas que conseguiram resistir ao tempo, elas não representam a realidade de como teria sido sua aparência física. A fortuna herdada de seu pai, Tutmés IV, era estimada ao equivalente a mais de R$ 25 trilhões!

de OTTO HESENDORFF 0

Faraó Amenhotep III

Cientistas conseguiram dar um rosto a Amenhotep III (também chamado Amenófis III), avô de Tutancâmon, recriando sua aparência pela primeira vez em 3.400 anos. 

Este avanço marca uma grande conquista na representação histórica de Amenhotep III, um dos maiores faraós que já existiu, que governou durante um período de paz e prosperidade sem precedentes no século XIV a.C.

Era venerado como um verdadeiro “deus vivo” e considerado um dos homens mais ricos de todos os tempos, com seu reinado indo até 1353 a.C., com fortuna herdada de seu pai, Tutmés IV, estimada ao equivalente a mais de R$ 25 trilhões!

Imagem: Reprodução / Cícero Moraes

“Se não estamos enganados, esta é a primeira aproximação facial de Amenhotep III. É nosso presente para todos aqueles que apreciam a história”, disse o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, responsável pela recriação do famoso faraó, ao Pen News.

Ironicamente, apesar de possuir mais estátuas sobreviventes do que qualquer outro líder, seu rosto nunca havia sido reimaginado até agora. Para recriar a semelhança de Amenófis III, o especialista primeiro reconstruiu seu crânio usando dados e imagens de sua múmia.

Em seguida, utilizou dados de doadores vivos para aproximar as dimensões e a posição do nariz, orelhas, olhos e lábios do rei.

“Com base no conhecimento histórico, Amenhotep III tinha uma aparência robusta, por isso usamos dados de indivíduos com alto índice de massa corporal”, explicou o especialista, que finalizou a recriação digital adicionando roupas e joias, permitindo ao mundo ver a possível aparência do avô de Tutancâmon.

Imagem: Reprodução / Cícero Moraes

“Ficamos maravilhados com o resultado final; ver um busto completo com essas cores e a serenidade facial é bastante satisfatório. Comparado a outras aproximações de faraós das quais participei, esta foi a mais completa também, pois modelamos as roupas e os acessórios”, disse.

Embora essa representação possa parecer simplória para um homem que já foi considerado um líder de poder inestimável, arqueólogos argumentam que o verdadeiro Amenhotep III era menos glamoroso do que retratado em estátuas idealizadas do Antigo Egito, sendo esta representação gráfica a mais fiel com a realidade.

As estátuas de Amenhotep III, apesar de serem várias e extremamente bem preservadas, não representam a aparência física verdadeira do faraó mais rico do Antigo Egito.

“Pesquisas de 1970 descrevem Amenhotep III como um homem obeso, doente e sedentário, que era quase careca e sofria de problemas dentários nos últimos anos de sua vida. Embora tenha sido um dos grandes reis do Egito, sua altura era de cerca de 1,56 m, tornando-o um dos reis mais baixos que conhecemos a partir de múmias preservadas”, disse o Dr. Michael Habicht, arqueólogo da Universidade Flinders, na Austrália.

Habicht acrescentou que essa altura relativamente pequena não é refletida na arte, onde Amenhotep é famoso por suas estátuas gigantescas. Por fim, o cientista considerou a recriação facial adequada para o rei, descrevendo: “É um rosto plácido para um homem que promoveu a paz e viveu em uma época de grande prosperidade econômica.”

Amenhotep — nomeado em homenagem ao deus do sol e do ar, Amon, que ele afirmava ser seu verdadeiro pai — é frequentemente descrito como um dos maiores reis do antigo Egito, conhecido por se dedicar à diplomacia e por ter empreendido enormes projetos de construção no Egito e na Núbia.

Imagem da múmia de Amenhotep III, que agora está guardada no Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo.

Entre essas estruturas monumentais estavam um grande templo em Soleb, na Núbia (região no vale do rio Nilo), e um templo mortuário em Tebas Ocidental, com os icônicos Colossos de Memnon.

A riqueza do faraó era incomparável, conforme indicado tanto pela correspondência com diplomatas quanto pelos abundantes adornos em suas representações. “Cartas diplomáticas de estrangeiros imploravam a ele que enviasse ouro como presente, pois o ouro deve ser abundante no Egito como a areia”, disse o arqueólogo Habicht.

Ele acrescentou que há especulações de que a múmia de Amenhotep III pode ter sido completamente coberta com folha de ouro, fazendo com que ele parecesse uma estátua de um deus.

Além disso, o faraó era conhecido por sua postura igualitária e se recusava a enviar mulheres egípcias como esposas para líderes estrangeiros. Apesar do aparente feminismo, ele era paradoxalmente um notório importador de mulheres, trazendo centenas de estrangeiras para seu harém.

Quando Amenhotep III faleceu aos 40 ou 50 anos, o império estava no auge de seu poder. Infelizmente, seu legado foi manchado por seu filho e sucessor, Amenhotep IV, que se rebelou contra Amon (um deus) e instalou o deus solar Atén como a principal divindade do Egito.

Ele também mudou seu nome para Akhenaten — que significa “benéfico para Atén” — e transferiu a capital de Tebas, que era conectada com o deus Amon, para uma nova metrópole. Felizmente, o legado de Amenhotep III foi restaurado por seu neto Tutankhaten, que mudou seu nome para Tutancâmon — que significa “a imagem viva de Amon” — e se tornou, indiscutivelmente, o faraó mais icônico do Egito.

©Todos os direitos reservados. Proibida a cópia e reprodução sem autorização da PLUG Network.

Fonte(s): New York Post Imagem de Capa: Reprodução / Cícero Moraes via NY Post Foto(s): Reprodução / World History

Jornal Ciência