Esta superbactéria ameaça o mundo matando 90 mil pessoas por ano

de Rafael Fernandes 0

Melioidose é uma doença que mata cerca de 90.000 pessoas por ano. Esta bactéria pode viver durante anos em água destilada e provoca abscesso, convulsões e morte. Além de ser naturalmente resistente a muitos antibióticos comuns.

 

“Para todo mundo, era uma doença do sudeste da Ásia e na Austrália”, diz Eric Bertherat da World Health Organisation a Angus Chen da NPR. “Mas viemos a descobrir que esta doença está presente em muitas outras regiões do mundo. Em algumas áreas, a taxa de mortalidade também pode ser muito alta, até 70%”, relata Bertherat. “Isto é especialmente comum, se não for tratada corretamente. É um grande fardo, equivalente à raiva, que também é uma doença grave.”

 

A bactéria causadora, Burkholderia pseudomallei (BP), vive no solo e pode ser inalada ou entrar no corpo através de cortes e fissuras na pele. Isso faz com que a septicemia, o que é uma resposta imunológica hiperativa, seja desencadeada por uma infecção, provocando uma inflamação por todo o corpo, podendo levar à morte se não for tratada.

 

Também é naturalmente resistente a uma série de antibióticos comuns, razão pela qual receber os antibióticos corretos é tão importante. Porém, muitos países não estão preparados para diagnosticá-la e muito menos tratá-la.

Bart Currie, um microbiologista da Menzies School of Health Research, na Austrália, diz que por causa dos sintomas da melioidose serem tão semelhantes aos de outras infecções bacterianas, a doença é muitas vezes perdida. “Esta bactéria potencialmente perigosa é ainda mais difícil de diagnosticar do que as bactérias comuns”, disse Currie.

 

Para piorar a situação, um novo estudo mostrou que a bactéria pode estar se espalhando em torno do mundo em uma velocidade nunca constatada. A BP foi identificada em 45 países nos trópicos, com uma probabilidade elevada de novos casos que aparecem em outros 34 países tropicais, ele diz.

 

O pesquisador-chefe, Direk Limmathurotsakul, um microbiologista em parceria com a University of Oxford e a Mahidol University na Tailândia, diz que os números não surpreendem. “Quando eu fui para a Indonésia, em cada laboratório que olhávamos, encontrávamos esta doença. Nós sentimos que este é um número mínimo… no nordeste da Tailândia, vejo de 2 a 3 pacientes morrerem disso, todos os dias, nos meses chuvosos”.

O estudo, publicado na revista Nature Microbiology, diz que o aumento das importações de animais e a resistência natural da bactéria são as maiores causas de propagação. Outro estudo descobriu que essas bactérias são tão robustas que podem viver em água destilada, sem nada para sustentá-las por 16 anos.

 

Embora a BP raramente se espalhe de pessoa para pessoa, em algumas áreas do nordeste da Tailândia, quase metade da população foi infectada em algum momento, o que mostra o quão rapidamente ela pode se espalhar. Pessoas em maior risco são aquelas que têm diabetes, doença renal ou câncer, mas as pessoas saudáveis ​​também podem ser infectadas e adoecerem.

 

Com o tratamento correto, as mortes cairão para cerca de 1 em 10, a maioria dos adultos saudáveis ​​vai sobreviver à infecção. Mas este não é o caso em muitas áreas, e aqueles que não recebem o tratamento correto não têm tanta sorte. “Há muitas pessoas que foram tratadas com antibióticos ineficazes”, diz Limmathurotsakul. Até o momento da confirmação da doença “na maioria das vezes, o paciente já morreu”.

Com o aumento da pesquisa, o conhecimento sobre a doença está se espalhando, e há certas maneiras realmente fáceis de evitar a doença, dependendo de onde você mora. O Centro de Controle de Doenças recomenda, caso você viva em um clima tropical, para ficar dentro de casa durante tempestades ou chuvas fortes, e aqueles que trabalham com o solo devem usar botas e luvas. Por último, se você é um indivíduo em situação de risco, ou tem uma ferida aberta, deve evitar o contato com o solo e água parada.

 

Mas ainda há um longo caminho a percorrer. “Devemos impedir que os pacientes contraiam a doença desde o início. Isto é viável”, diz Limmathurotsakul. “Mas não é o que acontece nas campanhas de saúde pública. As pessoas ainda vão para os campos de arroz sem equipamentos de proteção e sem saber que estão colocando-se em alto risco.”

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Domínio Público ]

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