Irã: Advogada é sentenciada a 38 anos e 148 chibatadas por defender direito de mulheres não usarem lenços na cabeça

de Osmairo Valverde 0

Uma sentença total de 38 anos de cadeia foi dada após uma advogada defender os direitos humanos das mulheres. Além disso, 148 chibatadas foram estipuladas como castigo “justo”.

 

Nasrin Sotoudeh é uma advogada e ativista premiada. Ela já havia sido condenada anteriormente a 33 anos, mas teve 5 anos acrescentados em sua pena total e já começou a cumprir a nova sentença, de acordo com seu marido, Reza Khandan. Ele postou em seu Facebook a informação. 

 

Reza Khandan, marido de Nasrin Sotoudeh. Photo: Facebook. 

Sotoudeh, 55 anos, foi acusada por assumir diversos casos de mulheres que foram presas por aparecerem em público sem usar o lenço islâmico na cabeça – em protesto ao Código de Vestimenta Obrigatório imposto no Irã. 

Imagem: PEN International via LobBlog.

A advogada foi presa em junho de 2018. Mas, recentemente, mesmo na ausência de acusações formais, ela foi acusada de espionagem e condenada a mais 5 anos de prisão – algo considerado “absurdo” por diversos países, instituições e órgãos oficiais ao redor do mundo. 

 

Ao total, foram mais de sete veredictos, que somados deram 38 anos de cadeia. Somente no presídio a advogada soube do seu aumento de pena de mais 5 anos, e não estava presente no tribunal, de acordo com seu marido. 

 

Não somente os anos de prisão foram suficientes para a justiça do Irã, mas ela deverá passar por 148 chibatadas por ter tido coragem de aparecer no tribunal sem o lenço na cabeça – em árabe chamado de forma genérica de hijab, especialmente aqui no ocidente, pois no oriente existem diversas denominações, tipos e formatos – cobrindo os cabelos e pescoço, deixando somente o rosto à mostra. O tribunal considerou isso uma ofensa e uma afronta contra leis específicas do país de vestimenta feminina.

 

Abaixo você confere uma imagem do jornal El País fazendo uma referência a todos os tipos de véus islâmicos que as mulheres devem usar; e sua obrigatoriedade e tipos mudam em cada país.

Imagem: Reprodução / El País

A Anistia Internacional considerou a sentença e condenação de Sotoudeh “grande injustiça depois de dois julgamentos grosseiramente arbitrários”. Eles pedem a libertação imediata e incondicional da advogada – embora a possibilidade de ocorrer libertação ou diminuição da pena seja praticamente nula.

Sotoudeh dedicou toda sua vida em defesa dos direitos das mulheres e lutou contra a pena de morte. De acordo com vários jornais internacionais, é ultrajante os tribunais iranianos estarem punindo o trabalho de uma advogada que apenas está exercendo seu direito de lutar contra o que considera cruel com as mulheres e com os direitos humanos.

 

Javaid Rehman, principal especialista de direitos humanos da ONU no Irã, também se manifestou sobre o assunto, e comentou o caso em declaração à imprensa em Genebra, na Suíça, de acordo com o jornal britânico Metro:

 

Uma clara demonstração de uma resposta estatal cada vez mais severa. Há uma preocupação crescente de que o espaço civil para advogados e defensores de direitos humanos esteja sendo reduzido.

Quem é Nasrin Sotoudeh?

É uma advogada premiada internacionalmente por sua luta em favor dos direitos das mulheres no mundo islâmico. Ela ganhou o prestigiado Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu em 2012 como reconhecimento de seu trabalho em casos de grande repercussão internacional, incluindo representar condenados à morte por crimes cometidos por menores de idade. 

O serviço diplomático e o Ministério de Defesa da União Europeia, condenaram a condenação de Nasrin Sotoudeh e pediu ao Irã que garanta a ela e seu marido Reza Khandan, um processo de apelação justa. Na foto, Jafar Panahi e Nasrin Sotoud, ganhadores do prêmio Sakharov do Parlamento Europeu em 2012. Imagem: Parlamento Europeu

Ela passou 3 anos presa após representar prisioneiros durante protestos em massa que ocorreram no Irã em 2009 durante a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. Além disso, foi condenada por uma juíza da Corte Revolucionária de Teerã por 2 anos por “insultar o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei”.

 

Seu marido, Reza Khandan, afirmou à imprensa que ela jamais insultou o aiatolá e que a acusação é infundada.

 

Algumas de suas acusações oficiais alegadas pelos tribunais é de “propaganda contra o sistema islâmico e perturbação da ordem pública”, além de outras, consideradas infundadas e absurdas pela Anistia Internacional. 

Nasrin Sotoudeh com seu marido e filhos. Foto: Facebook. 

Os EUA também se pronunciaram sobre a sentença através do porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino: “Esta sentença está além do que consideramos uma barbárie, nos termos mais fortes possíveis”. 

[ Fonte: Metro ] [ Foto de Capa: Montagem Jornal Ciência via cortesia PBS e RPRepository  ]

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