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Físicos propõem novo método de teletransportar a memória de um ser vivo

de Rafael Fernandes 0

Embora a possibilidade de teletransportar objetos inteiros de um lugar para outro, como nos filmes, vai muito além da nossa realidade num futuro próximo, o mesmo não pode ser dito de nossas memórias.

Pela primeira vez, os físicos propuseram um método para teletransportar a memória de uma criatura viva para outro local, criando um estado de Gato-de-Schrödinger, ou seja, fazendo-a existir em dois lugares ao mesmo tempo. Até o momento, eles apenas descobriram como fazer isso com bactérias, mas dizem que dominar o método poderia ser a chave para teletransportar coisas mais complexas.

“Propomos um método simples para colocar um micro-organismo em dois lugares ao mesmo tempo e oferecemos um esquema para teleportar o estado quântico dele”, diz Li Tongcang da Purdue University. “Espero que o nosso trabalho não convencional inspire mais pessoas a pensar seriamente sobre teletransporte quântico de micro-organismos e suas possíveis aplicações no futuro”.

Quando falamos sobre a memória de uma criatura viva, nós não estamos falando de memórias sobre a sua vida. É a memória da existência da criatura em um nível atômico – o seu estado quântico interno.

O trabalho refere-se à pesquisa publicada pelo físico austríaco Erwin Schrödinger em 1935, na qual ele propôs que um gato poderia existir em dois estados diferentes, em dois ou mais lugares ao mesmo tempo – fenômeno que tem o nome de “superposição”. Por exemplo, ao ser colocado dentro de uma caixa por muito tempo o gato estaria morto e vivo, em qualquer lugar, até que alguém encontrasse o gato.

Esta ideia está no cerne do que torna os computadores quânticos tão empolgantes, em vez de serem limitados às combinações de 0 e 1 – que compõem os códigos binários de nossos computadores atuais – os qubits usados ​​em computadores quânticos podem ficar em estado de superposição 0 e 1, expandindo as capacidades de processamento em várias ordens de magnitude.

Agora, Li e seus colegas dizem que, se eles congelarem uma espécie comum de bactéria – denominada micoplasma – é possível não só alcançar um estado de superposição quântica como o Gato-de-Schrödinger, como você também pode permitir que seu estado quântico seja teletransportado em outros lugares.

Basicamente o que você tem a fazer é colocar uma bactéria no topo de um dispositivo chamado “oscilador de membrana eletromecânica”, e resfriá-la até uma temperatura criogênica. Um estudo publicado no início deste mês mostrou que, a estas temperaturas, é possível colocar a membrana em estado de superposição. Os pesquisadores sugerem que que a mesma coisa pode acontecer à bactéria de cima.

“Propomos simplesmente colocar um pequeno micróbio em cima da membrana de alumínio. O micróbio também estará em um estado de superposição quando a membrana de alumínio entrar em estado de superposição. O princípio é bastante simples”, disse Li. 

Agora que a bactéria atingiu um estado de superposição, os pesquisadores afirmam que a memória do seu estado quântico interno poderia ser teletransportada para outro ser vivo usando circuitos supercondutores de micro-ondas. A seguir, eles explicam o raciocínio:

“Com um forte gradiente de campo magnético, os estados internos de um micro-organismo podem ser envolvidos, como seu centro de massa de movimento, e serem teletransportados para um micro-organismo remoto. Como os estados internos de um organismo contiverem as informações, a proposta prevê um sistema de teletransporte de informação ou memórias entre dois organismos”. 

Li disse ao Guardian que esta segunda parte do ensaio é o que, na verdade, pode torná-lo útil. Por exemplo, poderia ser usado para detectar defeitos de ADN e proteínas de um micróbio, ou gerar a imagem do micróbio à sensibilidade de um único spin de eléctron.

Até agora, obviamente, isso é puramente teórico, e até mesmo o próprio Li admite que é “não convencional”, mas com físicos propondo no início deste mês que a memória da matéria sugada por um buraco negro pode ser recuperada através de um mecanismo semelhante ao teletransporte quântico, os cientistas, provavelmente, seguirão esta linha de pensamento até que encontrem alguma coisa.

Fonte: Science Alert Foto: Reprodução / Science China Press

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