O que aconteceria se a Terra fosse atingida por uma forte tempestade solar?

de Merelyn Cerqueira 0

O Sol é capaz de não somente influenciar os planetas ao seu redor, como também é uma estrela em constante variação, que sofre explosões violentas de radiação, produzindo quantidades de energia consideradas absurdas para os padrões da Terra.

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Sua massa, 330 mil vezes o tamanho de nosso planeta, corresponde a 99,86% de todo o Sistema Solar, logo, seu apelido de Astro Rei não é apenas uma força de expressão.

Essa esfera gigante é composta principalmente de hidrogênio e hélio, enquanto menos de 2% é formado de elementos mais pesados, como oxigênio e carbono.

Agora, recentemente tem havido rumores infundados, espalhados via WhatsApp, de que uma grande tempestade solar estaria para atingir a Terra.

Embora seja uma informação falsa, vale a pena descobrir o que aconteceria se uma explosão solar de grandes proporções atingisse o planeta.

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Tempestades e ventos solares

Conforme a camada mais externa do Sol, chamada de Coroa, se expande, ocorrem as chamadas “ejeções de massa coronal”, também conhecidas como ventos solares.

Quando explosões de grandes proporções ocorrem nesta região específica, partículas solares são ejetadas para interagir com o campo magnético da Terra, criando as tempestades solares.

Este é termo genérico utilizado para descrever o que o Sol pode lançar sobre a Terra, que inclui raios X, partículas carregadas e plasma magnetizado. Ela normalmente começa com uma labareda solar, como uma gigantesca explosão que ocorre na superfície do Sol enviando energia e partículas em direção ao Espaço.

Explosões pequenas, de classe C, ocorrem todo o tempo, embora não sejam suficientes para afetar a Terra. Já as médias, de classe M, podem produzir pequenas rupturas e interferências em sistemas de rádio, enquanto as explosões de classe X, as maiores, podem liberar até um bilhão de bombas de hidrogênio em energia.

Os cientistas não podem prever com exatidão quando o Sol entrará em erupção, embora tenham conhecimento de que essas explosões estão relacionadas a perturbações no campo magnético da estrela, que oscila ao longo de um ciclo de cerca de 11 anos.

As explosões M e C, que enviam raios X e luz ultravioleta em direção à Terra, são poderosas o suficiente para rasgar os elétrons dos átomos, conforme estes atingem a parte superior de nossa atmosfera (ionosfera). Basicamente, o céu é eletrocutado por um enorme pulso eletromagnético.

Efeitos na Terra

Estas tempestades solares afetam sinais de rádio entre a Terra e seus satélites, bem como aparelhos GPS e comunicadores que dependem de frequência de rádio, que podem ter sua comunicação bloqueada dependendo do quão carregada ficar a atmosfera. Isso, por exemplo, poderia danificar a comunicação de aviões no momento estiverem voando sobre os polos do planeta. Tal dificuldade duraria entre dez minutos a algumas horas.

Pouco tempo depois de uma explosão solar, uma corrente de partículas carregadas de elétrons e prótons é enviada a Terra, bombardeando a magnetosfera, uma importante proteção criada por nosso campo magnético. 

Quando atinge satélites em órbita, ela danifica esses aparelhos eletrônicos. Além disso, as partículas energizadas também são um risco para a saúde dos astronautas – o que também se tornará um problema caso venhamos colonizar o Espaço.

Em 1859, um dos maiores ventos solares já registrados atingiu o campo magnético de nosso planeta, causando o colapso de serviços telegráficos. Atualmente dependemos muito mais da energia elétrica, então se esta tempestade desse porte ocorresse, os estragos poderiam ser maiores.

Até o momento, nenhuma tempestade solar afetou uma missão espacial tripulada. No entanto, em 1972, a NASA registrou ventos solares que poderiam matar qualquer ser humano desprotegido que estivesse sobrevoando o campo magnético da Terra entre as missões Apollo 16 e 17.

Contudo, e embora os cientistas não possam prever com precisão quando um vento solar significativo irá ocorrer, a NASA está sempre atenta às atividades do Sol. Ela o faz por meio de uma frota de naves heliofísicas que monitoram constantemente o ambiente entre a estrela e a Terra.

Fonte: Gizmodo Fotos: Reprodução / Gizmodo

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