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Jovens “sorriem” de propagandas anticigarro e isso pode estar incentivando o tabagismo, diz estudo

de Merelyn Cerqueira 0

As diretrizes de alguns países, incluindo o Brasil, exigem a veiculação de imagens extremamente fortes junto às embalagens de cigarro para informar os fumantes os perigos associados ao tabagismo.

No entanto, um estudo recente descobriu que este tipo de anúncio tem aumentado o interesse de jovens e adolescentes em relação ao cigarro, segundo informações do Daily Mail.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, atualmente, o hábito de fumar mata sete milhões de pessoas no mundo todos os anos – quase o dobro do número registrado em 2000. Estes números sugerem que o cigarro é a principal causa de mortes evitáveis, antes da obesidade.

Especialistas enfatizaram que este número de mortos vai continuar aumentando se leis e regulamentos mais rígidos não foram criados em países em desenvolvimento, onde cerca de 80% das vidas são perdidas devido ao tabagismo.

Para o novo estudo, publicado na revista Nicotine & Tobacco Research, pesquisadores da RAND, uma empresa de pesquisa, criaram uma falsa loja de conveniência e colaram uma série de cartazes extremamente fortes mostrando os efeitos do tabagismo nas pessoas, onde normalmente são exibidos.

Então, recrutaram 441 jovens com idades entre 11 e 17 anos para responder uma pesquisa sobre compras em loja de conveniência e hábitos de fumar. Depois, eles foram convidados a visitar a loja do experimento.

Nos EUA, as lojas de conveniência são um terreno privilegiado de propaganda para as empresas de cigarro, especialmente para adolescentes, os quais o hábito do tabagismo está em ascensão no país.

Os pesquisadores descobriram que cerca de cinco por cento dos adolescentes do estudo já eram fumantes, enquanto que cerca de 20% eram considerados “em risco” de se tornarem.

Enquanto que os cartazes não tiveram nenhum efeito sobre os hábitos dos fumantes, verificou-se que o grupo em risco “significativamente” se tornou mais propenso a fumar depois de terem visitado a loja falsa com os cartazes, onde não despertavam nenhum “medo” entre eles.

Os cientistas e psicólogos comportamentais por trás do experimento acreditam que isso poderia ser uma reação “defensiva” dos adolescentes contra grandes empresas que tentam influenciar suas ações.

“É possível que os adolescentes em risco respondessem aos cartazes de advertência de forma defensiva, fazendo com que reduzissem ou minimizassem os riscos de saúde retratados no cartaz”, disse o autor do estudo Dr. William Shadel. Isso significa que adolescentes tendem a não acreditar nas doenças estampadas nos cigarros ou a acharem tudo aquilo um grande exagero.

As descobertas, de acordo com Dr. Shadel, deveriam dissuadir o governo a impedir tais campanhas, uma vez que considera que elas têm incentivado adolescentes a fumar. Eles sugerem ainda que as autoridades devem ter cuidado ao considerar os cartazes como parte de uma educação antitabagismo.

Fonte: Daily Mail Foto: Reprodução / Daily Mail 

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