Fêmea de orangotango é salva após viver como “prostituta” escrava

O fato, um dos mais lamentáveis já registrados envolvendo animais, ocorreu na Indonésia

de Redação Jornal Ciência 0

A orangotango passou cenas de terror em sua vida. Em seu cativeiro, vivia acorrentada a uma parede em cima de um colchão completamente imundo. Chamada de Pony, ela era forçada a trabalhar como “prostituta”.

O local era uma casa de prostituição na Ilha de Bornéu, na Indonésia, onde era molestada. Os homens eram convidados a fazer o que quisessem com a orangotango. Os maiores frequentadores eram os trabalhadores das fazendas de óleo de palma que existem na região.

Usada como prostituta humana, Pony era massacrada pelos homens que tinham “carta branca” para fazer o que quisessem para ter uma “experiência íntima” com ela. Os abusos eram tão frequentes que Pony tinha o hábito de girar o quadril cada vez que alguém batia na porta — por já saber o que ia acontecer. A orangotango foi roubada da mãe quando ainda era bebê.

Seu “dono” raspava seu corpo a cada dois dias para tornar-se mais “atraente”, fato que provocava feridas em sua pele, tornando-a um alvo fácil dos mosquitos.

Os registros mostram que Pony foi ensinada a se comportar de modo sexual com humanos, usar perfumes, “joias” e maquiagem, para ser mais “feminina”.

O caso trouxe horror para o mundo quando relatado a primeira vez no jornal britânico The Sun em 2018. Hoje, com 21 anos, Pony está livre há alguns anos, mas foi resgatada pela Borneo Orangutan Survival Foundation, onde vive agora em um centro de reabilitação.

“Pony vive uma vida saudável dentro do complexo atualmente. Aos 21 anos, a falta de habilidades naturais e o comportamento não permitem que ela seja colocada em outros tipos de recintos. Esperamos que ela possa algum dia ter a chance de viver na ilha santuário. No complexo em que está hospedada, Pony sempre mostra um apetite saudável por frutas e ferramentas de enriquecimento que nossa equipe lhe dá”, disse Nico Hermanu, assessor de imprensa da ONG nesta terça-feira (14/09).

Ninguém sabe exatamente quanto tempo Pony foi forçada a trabalhar como prostituta antes de ser resgatada do bordel, mas estima-se que tenha sido alguns anos.

A ex-professora Michelle Desilets começou a trabalhar como voluntária cuidando de orangotangos órfãos em Bornéu em 1994 e era diretora da Fundação de Sobrevivência de Orangotango de Bornéu no Reino Unido quando Pony foi resgatado.

Ela disse ao The Sun: “Foi horrível. Ela era uma escrava sexual — era grotesco. Ela estava coberta de feriadas com pus, e colocaram maquiagem e brincos nela. Deve ter sentido muita dor. Foi horrível pensar em como ela deve ter ficado apavorada”.

A conservacionista dinamarquesa Lone Droscher-Nielsen fez parte da equipe que resgatou Pony. Ela disse: “Quando descobri que ela era usada para prostituição e não apenas um animal de estimação, fiquei horrorizada. Talvez, em minha ingenuidade, nunca tivesse pensado que seria humanamente possível fazer uma coisa dessas com um animal”.

Embora a situação de Pony seja muito rara, fatores trágicos, incluindo desmatamento e tráfico ilegal desses primatas — que podem viver até 50 anos — colocam sua existência em risco.

Estima-se que cerca de 1.000 orangotangos são mortos todos os anos para que seus bebês possam ser vendidos no mercado ilegal. Para cada bebê orangotango vendido, acredita-se que pelo menos quatro outros sejam mortos.

Perturbadoramente, é muito fácil vender ou comprar um macaco como o Pony. Os relatórios sugerem que o comércio ilegal de animais selvagens está crescendo, graças às plataformas de mídia social. Pony, agora, poderá ter uma vida de verdade.

Fonte(s): The Sun Imagens: Divulgação / The Sun

Jornal Ciência