Espirros são “minibombas atômicas” com alcance maior do que pensávamos, diz estudo

Gotículas ejetadas em um espirro ou pela tosse têm alcance maior do que pensávamos, diz estudo da Universidade de Loughborough, no Reino Unido

de Redação Jornal Ciência 0

Espirros são “minibombas atômicas” com alcance maior do que pensávamos

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista Physics of Fluids, as micropartículas ejetadas pelo nariz e boca através de um espirro ou tosse, não só têm alcance maior do que os cientistas pensavam, como vão muito além dos limites de distanciamento social impostos por causa da pandemia.

“Na maioria das nossas análises, as previsões do nosso modelo sugerem que as gostas maiores ultrapassam […] dois metros a partir da fonte antes de chegarem ao solo”, explicou o matemático e coautor do estudo Emiliano Renzi, de acordo com o portal científico Science Alert.

Para chegar a esta conclusão, a equipa levou em consideração uma série de simulações, moldando a dinâmica de fluídos ejetados através da tosse e dos espirros.

Emiliano Renzi e seu aluno, Adam Clarke, descobriram que a evolução da nuvem de umidade ejetada coincide com um fenômeno teórico da Física conhecido como Anéis de Vórtice Flutuantes, utilizado para caracterizar a turbulência e a circulação de um vórtice em forma de toro (formato parecido com a câmara de ar de um pneu) num fluído ou gás.

Evolução do vórtice de nuvem flutuante de um espirro. Foto: Renzia & Clarke, Physics of Fluids , 2020.

O mesmo tipo de dinâmica é observado nas “nuvens cogumelo” das explosões nucleares, por isso os espirros foram apelidados de “minibombas atômicas”. “Em alguns casos, as gotas são impulsionadas a mais de 3,5 metros pelo vórtice flutuante, que atua como uma espécie de minibomba atómica”, diz Renzi.

“O nosso modelo também mostra que as gotas menores são carregadas para cima […] e levam alguns segundos para atingir uma altura de 4 metros. A esta altura, os sistemas de ventilação dos edifícios interferem na dinâmica da nuvem e pode ficar contaminados”, pontua o cientista.

Apesar de reconhecer que este modelo é baseado em uma série de teorias matemáticas e que são necessárias mais análises científicas sobre o tema, a equipa ressalta que o estudo deixa claro que a distância social de 2 metros pode não ser suficiente para prevenir a propagação de doenças que se transmitam através de partículas expulsas da boca ou nariz, como é o caso da Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2.

“Recomendamos mudanças comportamentais e culturais nas populações para direcionar a tosse para o solo, além da utilização de máscara, o que poderá ajudar a diminuir o risco de transmissão direta de curto alcance de vírus respiratórios”.

Fonte(s): Zap Foto(s): Tinafranklindg / Flickr

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