Zona completamente morta com mais de 3.000 km foi encontrada no Golfo do México e a culpa pode ser nossa

de Merelyn Cerqueira 0

Toda primavera, quando o rio Mississippi (nos EUA) encontra o Oceano Atlântico, o Golfo do México experimenta uma grande mortandade de vida marinha.

No entanto, este ano, isso ocorreu de maneira mais pronunciada, algo que provavelmente está relacionado com as atividades humanas, de acordo com os pesquisadores.

A “Zona Morta” de 2019 foi verificada com mais de 3.360 quilômetros quadrados, sendo considerada a maior dos últimos 30 anos, quando os pesquisadores começaram as medições, em 1985.

Quando o rio Mississippi atravessa o país, chega a atingir 41% das águas interiores (de Idaho a Nova York), que acabam sendo drenadas para o Golfo do México. Nestas águas podem ser encontrados níveis não naturais de nitrogênio e fósforo, usados ​​em produtos fertilizantes para a produção agrícola em todo o Centro-Oeste dos EUA.

Esses níveis causam o que é conhecido como eutrofização, ou o sufocamento da vida marinha, que é quando os sistemas oceânicos são enriquecidos com nutrientes além dos níveis naturais.

Segundo a pesquisadora Nancy Rabalais, do Departamento de Oceanografia e Ciências Costeiras da Louisiana State University, além se ser a segunda maior Zona Morta já registrada, ela ainda tem potencial de aumentar.

“O rio ainda está inundado e as concentrações de nitrogênio estão subindo. Os dois se multiplicaram para fornecer a carga de nitrogênio que vemos”, alertou.

As inundações que ocorrem em todo o Meio-Oeste podem ter levado ao aumento da área abrangida pela Zona Morta, à medida que as águas das inundações se espalham pelos campos agrícolas e acabam drenando para o Golfo.

A hipoxia (desoxigenação oceânica), de fato, é um fenômeno natural e existe em todo o ambiente marinho, mas tem aumentado devido à intensificação da produção agrícola nos últimos 50 anos.

Quanto maior uma Zona Morta, mais prejudicial ao ecossistema ela se torna, uma vez que a água doce do rio, rica em nutrientes, aumenta o crescimento do fitoplâncton ou a proliferação de algas. Então, quando essas algas morrem, elas afundam no oceano, onde é decomposta por bactérias que usam oxigênio da água. Feito isso, sufocam organismos que não podem se afastar, como camarões, crustáceos e peixes que habitam o fundo do mar.

“Eles precisam sair ou morrer. Aqueles que vivem nos sedimentos, e formam a base da cadeia alimentar para os peixes e camarões, são geralmente mortos, e a diversidade é reduzida, mesmo depois que o baixo oxigênio retorna ao normal”, explicou Rabalais, acrescentando que a zona morta também tem implicações na economia e saúde humana.

O Golfo do México é uma das regiões mais produtivas dos EUA e abriga uma importante zona de pescaria de camarão.

É importante ressaltar que o relatório pressupõe que não houve tempestades tropicais significativas nas duas semanas antes ou durante a pesquisa, o que poderia ter mudado a química das águas oceânicas.

Além disso, a área abrangida pela Zona Morta é apenas uma estimativa inicial e os dados precisam ser verificados novamente para dizer com exatidão a extensão total.  

De acordo com a pesquisadora, o relatório completo deverá ser divulgado nos próximos meses.

Fonte: IFLScience / Fotos: Reprodução / IFLScience

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