Garota com alergia à água tem corpo “em chamas” a cada banho, transpiração ou choro; entenda

A Urticária Aquagênica é raríssima e crônica, deixando a pele extremamente vermelha quando exposta à água ou através da transpiração e lágrimas

de Redação Jornal Ciência 0

Uma adolescente de 14 anos, do Missouri, EUA, revelou que foi diagnosticada com uma rara alergia à água e revelou que a sensação é como se estivesse sendo “encharcada de gasolina e incendiada”.

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Sadie Tessmer foi diagnosticada há 4 meses com Urticária Aquagênica, que faz com que a pele de uma pessoa fique vermelha e com coceira se exposta à água — do banho, por exemplo, ou da própria transpiração.

“Sempre tenho uma reação quando tomo banho ou lavo as mãos, ou até choro ou transpiro. Vai doer tanto que vou começar a chorar e isso piora porque sou alérgica às minhas próprias lágrimas, o que me estressa”, disse Tessmer ao jornal The Independent.

A condição foi notada pela primeira vez depois que Tessmer saiu do banho, em meados de 2021. Sua mãe, à época, acreditou que ela apenas tinha tomado banho com a água quente demais. “Às vezes, parece que alguém está derramando gasolina no meu corpo e me incendiando e isso coça”, disse Tessmer.

Ela disse ainda que evita molhar o rosco ou pescoço para não entrar em choque anafilático e sempre carrega consigo uma injeção de epinefrina para casos de emergência onde ela pode parar de respirar se for molhada sem querer.

A condição é raríssima, estimando-se de 50 a 100 casos em todo o mundo, de acordo com o jornal New York Post.

Após começar os sintomas em 2021, levou quase 1 ano para que os médicos conseguissem obter um diagnóstico. Tessmer diz que parecia não ser real a possibilidade de alguém ser alérgica à água.

“Se alguém me falasse que era alérgica à água, eu pensaria que estava mentindo”, disse ela. A doença teve um impacto profundo em sua saúde mental e em seu convívio social. “Fiquei bastante deprimida por alguns meses por causa disso, e fico muito chateada quando as pessoas me perguntam se quero ir à praia”, desabafou.

“Eu continuo pensando que minha vida acabou. Eu quis estar no exército por toda a minha vida, mas não será mais possível, isso porque não posso me exercitar ou transpirar”, acrescentou.

Em uma tentativa de minimizar o efeito da doença, a mãe de Tessmer passou a educar sua filha em casa para que ela possa evitar a transpiração, abolindo completamente qualquer tipo de atividade ou exercício físico.

Apesar da dor, Tessmer ainda consegue consumir líquidos desde que use um canudo para que a água não toque a pele ao redor da boca.

Sua mãe, Amber, diz ser desolador escutar sua filha chorando embaixo do chuveiro e saindo completamente vermelha: “eu tenho que tentar não chorar também, ou ela vai chorar ainda mais”, diz.

“Espero que mais pesquisas sejam feitas, para garantir que ela possa viver uma vida plena, fazendo todas as coisas que quiser”, acrescentou sua mãe.

A Urticária Aquagênica não é uma condição completamente compreendida pela ciência. Alguns pacientes no mundo têm a doença associada com a Síndrome de Bernard-Soulier (doença hemorrágica hereditária) — o que pode sugerir um fator genético, mas até o momento, nenhum gene foi identificado.

A ciência tenta, desde 1960, compreender e lançar hipóteses clínicas e fisiológicas para a causa da Urticária Aquagênica, mas nenhuma explica claramente ou dá certezas das causas. A doença permanece um mistério científico.

Fonte(s): New York Post Imagens: Reprodução / NY Post

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