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Estudo revela que maioria das pessoas experimentaria carne artificial

de Gustavo Teixera 0

Futuristas dizem que um dia os humanos terão que comer carne in vitro, um tipo de carne cultivada em um laboratório e não em uma fazenda – dentro de 5 a 10 anos.

 

A carne in vitro foi investigada pela primeira vez nos primeiros anos deste século e, desde então, as críticas aos sistemas de produção de animais, particularmente intensivas, aumentaram. Dentre as críticas,estão o uso excessivo de terra, energia e recursos hídricos, poluição, bem-estar dos animais, contribuição para as alterações climáticas, hábitos alimentares pouco saudáveis ​​e doenças em seres humanos.

 

Ao mesmo tempo, o crescimento da população humana (e pecuária) continua, as terras agrícolas são requisitadas para a expansão urbana e o consumo de carne por pessoa está aumentando. Cultivar a carne artificialmente, em condições laboratoriais, não é impossível em larga escala. Mas as preocupações das pessoas sobre comer carne in vitro raramente foram exploradas.

 

Em uma pesquisa recente, foram investigadas as opiniões de pessoas nos Estados Unidos, um país com um dos maiores apetites por carne – e um apetite igualmente grande por adotar novas tecnologias. Um total de 673 pessoas responderam à pesquisa on-line, na qual havia informações sobre a carne in vitro e perguntas sobre sua atitude em relação a ela. Embora a maioria das pessoas, cerca de 65%, e particularmente os homens, estava disposta a experimentar carne in vitro, apenas cerca de um terço disse que iria comê-la regularmente ou como substituta para a carne comum.

 

Mas muitas pessoas estavam indecisas: 26% estavam inseguras se comeriam como um substituto para a carne comum e 31% não sabiam se iriam comê-la regularmente. Isso sugere que há espaço para persuadir os consumidores de que devem se converter à carne in vitro se um produto adequado estiver disponível. Como uma indicação deste potencial, 53% disse que ela seria preferível aos substitutos de soja.

 

As maiores preocupações foram sobre o gosto e a falta de apelo da carne in vitro, particularmente no caso de carnes consideradas saudáveis, como peixe e frango – apenas dois terços das pessoas que normalmente as comiam disseram estar abertas a experimentar suas versões artificiais. Em contrapartida, 72% das pessoas que normalmente comem carne bovina e suína ainda fariam isso se fossem produzidos como carne in vitro.

 

Curiosamente, cerca de 4% das pessoas disseram que iriam experimentar carne in vitro de produtos de cavalo, cão ou gato – apesar de serem carnes que eles não comeriam normalmente. As vantagens percebidas da carne in vitro foram que ela seria ambientalmente melhor, ética e menos propensa a transmitir doenças. Poderíamos aumentar a proporção de animais nutridos, confortáveis, saudáveis, livres de dor na Terra se substituíssemos a produção intensiva de animais de fazenda.

 

O sexo foi o maior fator revelador, sendo os homens em média eram mais propensos a experimentar carne in vitro, enquanto as mulheres deram menos certeza. Os homens também tiveram uma visão mais positiva dos seus benefícios. Reconhecendo que os homens que comem carne são muitas vezes vistos como mais masculinos, não está claro se esse valor mudaria se com a inserção da carne in vitro. Aqueles com pontos de vista políticos liberais em vez de conservadores também foram muito mais receptivos à ideia, confirmando seus pontos de vista mais progressistas em geral, bem como seu foco tradicionalmente mais forte na justiça e em evitar danos aos outros.

Vegetarianos e veganos foram mais propensos a apoiar os benefícios da carne in vitro, mas menos receptivos à ideia de comê-la. As pessoas que comiam pouca carne também eram mais abertas a isso em comparação com grandes consumidores de carne. Enquanto uma proporção razoavelmente grande da amostra relatou vontade de comer carne in vitro no futuro, parece haver hesitação em torno da ideia de incorporá-la à dieta diária.

 

A resistência veio principalmente de preocupações práticas, como gosto e preço. Mas estes são fatores que estão em grande parte sob o controle dos fabricantes. As preocupações – sobre gosto, preço, impacto e agricultores – poderiam ser tratadas de forma eficaz se houvesse vantagem financeira suficiente na produção de carne in vitro. À medida que as técnicas de engenharia de tecidos melhoram, cultivar a carne também traz a oportunidade de introduzir ingredientes que promovem a saúde, como gorduras poli-insaturadas.

 

Outra preocupação comumente citada foi a percepção de que o produto não era natural. Isso pode ser semelhante às preocupações das pessoas sobre alimentos geneticamente modificados. Alguns opositores aos alimentos geneticamente modificados são absolutistas morais que não seriam influenciados por qualquer argumento a favor.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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