Cientistas usaram líquido produzido durante a gravidez para fortalecer ossos fracos

de Julia Moretto 0

Pesquisadores coletaram líquido amniótico da células-tronco de seres humanos – o fluido de proteção que envolve o bebê no útero – e o usou para tratar ratos com doenças relacionadas a ossos.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

O tratamento resultou em 79% menos fraturas, aumentando ativamente a força, plasticidade e estrutura dos ossos dos animais. A equipe está investigando se ele vai funcionar em seres humanos – especialmente astronautas, que podem perder 2,5% de sua densidade óssea a cada mês no espaço.

Nós poderíamos injetar essa substância em pessoas mais velhas ou em astronautas para que novas células formadoras de ossos sejam intensificadas”, disse o pesquisador Pascale Guillot da University College London. “As células-tronco que usamos são excelentes para proteger os ossos. Os ossos tornam-se muito mais fortes e a forma como o osso se organiza internamente é de qualidade muito superior”, completou.

Guillot e sua equipe retiraram o líquido amniótico de dadoras saudáveis, grávidas durante testes de triagem ou antes do nascimento. A partir deste fluido, eles extraíram células do líquido amniótico células-tronco mesenquimais (AFSC) e as injetaram em ratos para que eles pudessem infundir o conteúdo em seus ossos.

Os camundongos foram criados para desenvolver a doença dos ossos – uma doença genética que resulta em ossos frágeis que se quebram facilmente, espelhando os efeitos da perda mineral do envelhecimento. A doença é semelhante à osteoporose – um problema comum, especialmente para as mulheres mais velhas, quando os ossos se tornam frágeis e quebradiços com a perda de tecido.

Oito semanas após a infusão de células-tronco, os 168 casos de fraturas no fêmur, tíbia e os ossos foram avaliados e 156 ratos apresentaram melhora. Enquanto 100% dos ratos do controle apresentaram, pelo menos, uma fratura óssea, a incidência de fraturas em ratos tratados foi reduzida em 69% em problemas de ossos fracos, 89% em fêmures e 79% em tíbias.

Entre os três tipos de ossos, a equipe encontrou uma diminuição de 79% na taxa de fraturas em ratos tratados. Os ossos foram também submetidos a ensaios de flexão, e tiveram sua estrutura e composição analisada. As infusões de células-tronco não estavam levando à formação de ossos novos, mas criaram fatores de crescimento que fizeram as células ósseas existentes nos ratos se multiplicarem de forma mais eficaz.

A equipe diz que, enquanto que as células estaminais de tecidos fetais humanos – extraídos de cordões umbilicais – parecem reduzir as taxas de fratura óssea em ratos, os transplantes não puderam melhorar a força do osso, aumentando apenas a plasticidade. Entretanto, as células estaminais derivadas do líquido amniótico já mostram a resistência, plasticidade e a estrutura. O fluido amniótico que se forma em uma mulher apresenta menos problemas.

Claro, nada é certo até que os resultados podem ser replicados em seres humanos. A equipe planeja iniciar os testes em humanos nos próximos dois anos. “Eu acho que nos próximos anos, teremos maneiras de retardar o envelhecimento do nosso esqueleto para reduzir fraturas e dor. Isso também vai ser muito importante para as viagens espaciais”, contou Guillot. A pesquisa foi publicada em Scientific Reports.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Flickr ]

Jornal Ciência