Cientistas utilizaram células-tronco no tratamento cardíaco de macacos

de Merelyn Cerqueira 0

No Japão, cientistas utilizaram células musculares cardíacas provenientes das células-tronco de um macaco para corrigir danos em corações de outros cindo de mesma espécie.

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A técnica mostra que o uso de células estaminais pode, um dia, ser um caminho viável para a regeneração de órgãos em pacientes humanos que sofreram ataques cardíacos. Tal abordagem ainda poderia reduzir o tempo e custo de desenvolvimento de tratamentos do tipo, segundo informações da Science Alert.

Enquanto a terapia com células-tronco para o tratamento de problemas cardíacos não é algo novo, ela é ainda muito cara. Em alternativa, as células estaminais poderiam ser colhidas a partir de embriões humanos, porém, o procedimento ainda é considerado controverso já que ele é destruído durante o processo.

A nova técnica então, apresentada pelos pesquisadores da Universidade Shinshu, tem potencial para ser replicada em humanos, com a colaboração de doadores, o que poderia evitar as dificuldades mencionadas em futuros tratamentos. Segundo a pesquisadora Sian Harding, do Imperial College London, que não esteve envolvida no estudo, a terapia reforça o argumento de que um banco de células poderia ser usado para tratamentos, sem depender do longo processo de reprogramação e diferenciação das células do próprio paciente.

Para o estudo, os pesquisadores geraram células estaminais pluripotentes induzidas (reprogramadas) recolhidas a partir da pele de um macaco doador. Então, injetaram-nas em áreas danificadas nos corações de cinco destinatários, de mesma espécie, que tinham passado por um processo de ataque cardíaco induzido.

Um dos principais riscos envolvidos neste tipo terapia é a possibilidade de rejeição por parte do beneficiário. No entanto, se para o caso forem usadas células-tronco individualizadas (retiradas dos próprios pacientes) não há risco de rejeição por resposta imunológica. Para evitar que isso acontecesse, os pesquisadores selecionaram animais mais próximos de uma combinação genética compatível em termos de uma proteína do sistema imunológico compartilhado chamada de complexo principal de histocompatibilidade (MHC).

Após monitorar os macacos beneficiários por um período de 12 semanas, não foram notados sinais de rejeição. A equipe também observou que as células transplantadas melhoraram a capacidade de contração dos corações anteriormente danificados. Sobre os efeitos colaterais, os pesquisadores destacaram a incidência de batimentos cardíacos irregulares (arritmia). No entanto, eles se dizem confiantes de que isso não causará riscos sérios de saúde nos animais antes de serem submetidos à eutanásia no final dos testes.

Embora este seja considerado um resultado positivo – porque demonstra o potencial para transplantes de células a partir de doadores – não podemos ficar muito animados. Os pesquisadores reconhecem que o estudo foi realizado em uma amostra pequena de corpos, de modo que serão necessários ensaios maiores para reproduzir os resultados.

Ainda, os cinco macacos só foram observados por um período de três meses, então não temos informações sobre as perspectivas a longo prazo. Atualmente, a única opção para os pacientes nestas condições é o transplante cardíaco. Contudo, a demanda atual não é suprida pelo pequeno número de doadores.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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