Aranhas estão capturando e comendo cobras em todo o planeta, diz estudo

Ao contrário do que se imaginava, parece não ser tão incomum que aranhas consigam capturar, matar e comer cobras usando o poder se suas teias

de Redação Jornal Ciência 0

Martin Nyffeler, especialista em aranhas da University of Basel, na Suíça, juntamente com o herpetologista J. Whitfield Gibbons da Universidade da Geórgia, nos EUA, fizeram um estudo mostrando mais de 300 evidências de aranhas atacando cobras.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

De acordo com o estudo, publicado no Journal of Arachnology, não são apenas as tarântulas que conseguem matar cobras. As análises mostram que mais de 40 espécies de aranhas, incluindo as famosas viúvas-negras, conseguem capturar e comer mais de 90 espécies de cobras.

“Fiquei surpreso com o fato de tantos grupos de aranhas diferentes serem capazes de matar e comer cobras. Fiquei surpreso que tantas espécies diferentes de cobras são ocasionalmente mortas por aranhas”, disse Nyffeler à National Geographic.

Embora os relatos tenham sido registrados em todos os continentes, com exceção da Antártica, metade dos casos ocorreram na América do Norte e 30% na Austrália.

A família Theridiidae, que inclui as viúvas-negras, foi a responsável pelo maior número de registros de ataques contra cobras. As cobram que geralmente caíam nas teias e acabavam sendo devoradas tinham em torno de 25 cm ou menos, consideradas pequenas — embora existam registros de aranhas com mais de 40 cm.

Em geral, aranhas como as viúvas-negras tecem teias muito fortes, o que pode verdadeiramente dificultar a tentativa das cobras de saírem da armadilha.

A força da seda da teia é, muitas vezes, subestimada. Muitos pesquisadores pensavam que as cobras conseguiriam escorregar e sair, mas o número de registros de aranhas presas incapacitadas de fugir foi impressionante.

A tática é muito eficaz: ao ficar presa, a cobra peçonhenta não pode usar seu veneno tentando picar um inimigo tão minúsculo. Já a aranha pode injetar seu veneno tranquilamente no animal completamente enroscado em sua teia.

Após a cobra estar totalmente paralisada, as aranhas começam seu processo de “embrulhar” a presa em mais camadas de seda.

As aranhas fazem suas refeições liquidificando o interior do corpo de sua presa e “bebendo” os sucos ali formados. Uma cobra é um animal bastante grande para o padrão de caça das aranhas, o que representa alimento por vários dias ou até semanas.

No estudo, dos 319 confrontos, as aranhas conseguiram matar as cobras em 87% das vezes. Nos registros, as que conseguiram sobreviver, foi por intermédio humano que soltava a cobra da teia, tentando resgatá-la.

Outros registros

Em 2017, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, descobriram uma tarântula da espécie Grammostola quirogai devorando uma cobra sob uma rocha na Serra do Caverá.

À época, foi considerado o primeiro registro do tipo na natureza. Diferentemente das poderosas viúvas-negras que possuem toxinas muito potentes, este tipo de tarântula possui toxina, porém muito fraca e pouco estudada pela ciência — e não se sabe se seria forte o suficiente para matar uma cobra — e não fazem teia para capturar presas.

Cobra-marrom sendo devorada na Austrália.

A hipótese mais provável é que tenha ocorrido uma luta entre a cobra e a tarântula, que possui presas de até 2 cm. Uma tarântula ter matado e estar comendo uma cobra de quase 40 cm foi um grande espanto para os pesquisadores, de acordo a Live Science.

Já em 2016, uma cobra-marrom — uma das mais venenosas do mundo — foi completamente paralisada e morta por uma aranha-vermelha. O caso ocorreu em Victoria, na Austrália.

Fonte(s): Daily Mail Imagens: Reprodução / Daily Mail

Jornal Ciência