Professor da UNICAMP que encontrou falhas na urna eletrônica deixa o Brasil

de Merelyn Cerqueira 0

Diego Aranha, 32 anos, professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) foi uma das poucas pessoas independentes, isto é, sem relação com o Governo, que conseguiu investigar uma urna eletrônica usada no Brasil.

 

Ele foi capaz de realizar testes a fim de buscar evidências de vulnerabilidade. Ele concluiu que, o modelo utilizado nas eleições de hoje pode ser fraudado de muitas maneiras, e rastrear os responsáveis poderia ser impossível. 

 

A intenção de Aranha, segundo uma reportagem publicada originalmente pela Vice, era o desenvolvimento de um modelo mais seguro para a contagem de votos, tendo em vista que o dispositivo é essencial para a democracia do país.

 

Em um relatório divulgado em 2012, Aranha expôs falhas no sigilo e destino de votos, além de outros 19 pontos fracos do sistema. Um dos problemas, segundo ele, está no gerador aleatório, que faz o embaralhamento do registro dos votos.

 

Assim como a urna física, uma digital mistura as cédulas virtuais. No entanto, de acordo com o professor, essa mistura dos dados pode ser desfeita com o uso de uma única variável matemática, chamada “hora da zerésima“.

Assim, ao invés de usar um parâmetro aleatório, o TSE escolhe a hora da impressão da zerésima. Então, ao juntar a hora da zerésima ao gerador aleatório, é possível reordenar os votos de maneira cronológica e eliminar o sigilo de cada um deles. 

 

A hora da zerésima fica no log da urna, um documento que está disponível no site do TSE. Já o gerador aleatório e o candidato de cada voto estão no código-fonte do software e no Registro Digital do Voto, respectivamente. No entanto, por lei, ambos são acessíveis a todos os partidos políticos.

 

De acordo com Aranha, essa situação abre margem a fraudes em eleitores que são pressionados a votar em determinado candidato (voto cabresto). Tudo o que uma pessoa ou grupo de interesse precisa saber é a hora exata do voto da vítima.

 

Meus alunos escrevem softwares mais seguros”, desdenhou o professor.

 

O TSE, por outro lado, rebate. Uma das formas encontradas pelo governo de evitar fraudes foi pelo uso da biometria. No entanto, para Aranha, os índices de falha nesse sistema chegaram a 75% nas eleições de 2010, quando ainda estava em caráter experimental.

 

Já o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, defende que os erros do sistema atualmente não passam de 10%. Segundo ele, em 18 anos de eleições eletrônicas, não há sequer um registro de fraude. De fato, a única fragilidade relatada foi no embaralhamento de votos nas eleições de 2012. 

Para solucionar essa gama de vulnerabilidades e evitar fraudes que ameaçam a Democracia, o professor propôs o uso do voto impresso, algo que foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2015, como parte de uma minirreforma eleitoral. No entanto, o TSE recentemente suspendeu a implantação para as próximas eleições.

 

Agora, de acordo com o site Baguete, Aranha está deixando o país. Aparentemente, o professor ministrará aulas na Universidade de Aarhus, na Dinamarca. “A decisão veio de uma desilusão generalizada com o Estado completamente disfuncional no País”, disse ele. “A (in)segurança da urna eletrônica é apenas mais um exemplo infeliz”.

 

Algumas das vulnerabilidades mais perigosas encontradas por equipes de pesquisa é a possível alteração direta do voto e logração do eleitor por meio de alterações de textos na tela da urna. Entretanto, os pesquisadores assumiram que o tempo de análise foi muito curto para “maiores comprovações”.

[ Baguete / Vice ] [ Foto: Reprodução / Baguete ]

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