Truque de mágica famoso está ajudando cientistas a estudar o corpo humano. Entenda!

de Merelyn Cerqueira 0

Nosso corpo realiza uma série de combinações de sensações para modelar a si mesmo e a mente.

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Não é novidade para a ciência utilizar o velho truque do espelho para enganar o corpo, tendo em vista que eles são usados para criar imagens refletidas de membros ou outras partes do corpo de pacientes amputados, e assim, enganar o cérebro para ajudar com a cura.

No entanto, em um estudo publicado no periódico Scientific Reports, cientistas afirmaram ter descoberto como a tensão muscular, juntamente com o truque do espelho, pode contribuir para o nosso auto mapeamento mental, de acordo com informações da Science Alert.

O professor Jared Medina, juntamente com seu aluno de doutorado Yuqi Liu, da Universidade de Delaware, nos EUA, se voltaram para o truque para estudar como a mente combina estímulos para construir nosso senso de auto percepção, que é basicamente o arranjo relativo das posições do corpo em nosso espaço mental.

O truque foi criado por dois pesquisadores de Princeton, no final da década de 1990. Ele é feito por meio de uma caixa com apenas um lado com espelho. Enquanto uma mão é escondida, a outra utiliza o espelho para refletir uma ilusão. Visivelmente falando, o cérebro aceita esse reflexo como uma mão oculta.

Tal truque se tornou uma ferramenta imensamente útil para analisar o funcionamento do cérebro, especialmente quando se trata da combinação de estímulos visuais e táteis em um senso de espaço corporal.

Ele também tem utilidade terapêutica, e já provou ser um sucesso no tratamento de distúrbios como a Síndrome do Membro Fantasma, dores crônicas e paralisia pós-derrame cerebral.

Normalmente, a natureza cerebral precisa de nosso sistema visual, isso significa que a visão é dominante quando se trata de localizar as partes do corpo.

No entanto, de acordo com Medina, no estudo em questão verificou-se que o cérebro também parece estar considerando informações adicionais – como restrições biomecânicas do esquema do corpo – na resolução desse conflito entre os sentidos.

A intenção de Medina e Liu era saber como o cérebro lidava com uma batalha entre o que os olhos veem e o que os músculos sentem, a fim de determinar como nossas mãos se movem em nossa mente.

Experimentos anteriores feitos com mãos de borracha já haviam sugerido a existência de uma relação entre a força da sensação entranha de toque e a proximidade com a posição da mão escondida em seu ‘duplo refletido’. Isso deixou claro que, se houvesse uma enorme diferença entre o que era visto pelos olhos e a tensão refletida pelos músculos, o cérebro perderia rapidamente a confiança nos estímulos visuais.

Contudo, os cientistas tiveram que considerar uma questão importante: E se os músculos estivessem esticando, mas também se movendo de forma a apoiar o relatório visual?

Para responder isso, Medina e Liu realizaram o truque do espelho em 24 voluntários e em três experimentos diferentes, cada um exigindo que os participantes refletissem cada uma das mãos em posições contrastantes no espelho.

Com uma palma da mão para cima e a outra para baixo, os voluntários foram convidados a abrir e fechar o membro levantado.

“De repente, durante o experimento, ouvíamos risos de surpresa quando as pessoas experimentavam essa sensação de que a mão se mexia, mesmo que de fato não realizasse qualquer movimento”, revelou Medina.

Cada uma das experiências examinou o efeito de colocar a mão oculta em diferentes posições através do espelho. Os ângulos relativos revelaram restrições sobre a facilidade com que a mão poderia ser aberta e fechada, proporcionando um feedback mecânico importante para o cérebro.

Com base nos relatórios dos voluntários, os pesquisadores entenderam que, à medida que se torna mais difícil abrir e fechar a mão oculta de forma a corresponder à reflexão do espelho, mais complicado fica de conseguir a ilusão. Isso porque nosso cérebro é capaz de anular o que o olho vê por causa do que nosso corpo está sentindo.

Embora esta seja uma pequena descoberta, ela contribui para a compreensão crescente de como nossa mente mistura uma série de sensações para desenvolver uma compreensão complexa dos limites de nosso corpo e posicionamento no tempo e espaço.

Fonte: Science Alert / Nature Foto: Reprodução / National Geographic

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