Ovários feitos com impressão 3D permitem gestação em ratas inférteis

de Merelyn Cerqueira 0

Ratas inférteis deram à luz filhotes saudáveis após terem sua fertilidade restaurada por meio de implantes de ovários feitos em uma impressora 3D.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Pesquisadores criaram os ovos sintéticos imprimindo-os com uma tinta gelatinosa e preenchendo-os com folículos – minúsculos “sacos”que contêm óvulos não fertilizados.

O trabalho, publicado na Nature Communications, marca um passo em direção à produção de ovários artificiais para as mulheres jovens cujos sistemas reprodutores foram danificados por tratamentos de câncer, deixando-as inférteis ou com desequilíbrios hormonais.

Em testes realizados em ratas que tiveram um ovário removido cirurgicamente, os cientistas descobriram que os implantes ligados ao suprimento de sangue passaram a liberar óvulos de forma natural dentro de uma semana, por meio dos poros incorporados nas estruturas gelatinosas. 

“Nossa esperança é que um dia esta bioprótese ovariana seja realmente o ovário do futuro”, disse Teresa Woodruff, da Northwestern University, de Chicago. “O objetivo do projeto é ser capaz de restaurar a fertilidade e saúde endócrina de jovens pacientes com câncer que foram esterilizadas pelo seu tratamento”.

Das sete ratas que acasalaram após receberem os ovários artificiais, três deram à luz filhotes que se desenvolveram dos óvulos liberados pelos implantes.

Eles se alimentaram normalmente com o leite da mãe e mais tarde na vida também deram à luz ninhadas saudáveis. 

Os cientistas descreveram como imprimiram retículos em camadas de tiras de gelatina para fazer os implantes ovarianos.

Os tamanhos e posições dos poros nas estruturas foram cuidadosamente controlados para conter dezenas de folículos e permitir que os vasos sanguíneos se conectassem aos implantes. Óvulos maduros foram então liberados por estes, assim como ocorre naturalmente na ovulação normal.

Quimioterapia e as altas doses de radiação utilizadas no tratamento de cânceres podem destruir algumas ou todas as células reprodutivas de uma mulher, colocando-a em risco de menopausa precoce ou infertilidade. E, enquanto os médicos conseguiram restaurar a fertilidade de algumas mulheres por meio de uma técnica que conta com tecido ovariano congelado, um implante poderia ajudar aquelas que não guardaram tecido saudável de seus ovários quando ainda eram crianças.

Esta, no entanto, não é a primeira vez que cientistas criam ovários artificiais para ratos. Porém, esta pode ser a primeira vez que algo assim é feito por meio de técnicas de impressão 3D.

Ainda não está claro se a mesma abordagem irá funcionar em seres humanos, uma vez que nossos folículos são maiores e crescem mais rapidamente, a ponto de serem visíveis a olho nu. 

Os avanços da impressão 3D já transformaram algumas áreas da medicina, já que permitem aos médicos copiar partes do corpo que podem ser diretamente implantadas em pacientes.

Fonte: The Guardian Fotos: Reprodução / The Guardian

Jornal Ciência