Micróbios que viveram há quase 3,8 bilhões de anos aumentam esperanças da existência de vida em Marte

de Merelyn Cerqueira 0

A vida na Terra pode ter começado muito mais cedo do que pensávamos. Pesquisadores afirmaram ter descoberto evidências de que a vida mais antiga pode ter habitado o fundo do mar no Canadá há 3,77 bilhões de anos.

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Se confirmada, a descoberta poderá aumentar em 300 milhões de anos as estimativas anteriores, bem como sugerir a existência de vida à espreita em Marte. As descobertas foram feitas por meio de restos mineralizados de bactérias encontrados na baía de Hudson, em Quebec, que possivelmente viveram há 3,77 bilhões ou até 4,28 bilhões de anos, de acordo com os cientistas. Isso ultrapassaria os achados de outras espécies fossilizadas encontradas na Groelândia em agosto do ano passado.

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Os cientistas, liderados pelo pesquisador Matthew Dodd, da University College de Londres, procuravam por sinais dos primeiros ambientes habitáveis de nosso Planeta. Segundo eles, os micróbios teriam vivido próximos a um respiradouro no fundo do mar, onde a água era aquecida pela atividade vulcânica.

 

A equipe analisou rochas de jaspe, que acreditavam pertencer às mais antigas fontes hidrotermais do cinturão de Nuvvuagittuq, no nordeste do Canadá. Tal região representa um fragmento da crosta oceânica precoce da Terra e é feita de rochas basálticas capazes de preservar estruturas de lavas “consistentes com um cenário submarino”, de acordo com os pesquisadores.

 

Eles estudaram então tubos e filamentos preservados nessas rochas que se assemelhavam a estruturas atribuídas à vida bacteriana observada em outros ambientes hidrotermais do fundo do mar. Modernos depósitos hidrotermais de ventilação acolhem comunidades de microrganismos, alguns dos quais são bactérias oxidantes de ferro que formam distintos tubos e filamentos”, escreveram os cientistas no estudo.

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Então, foram coletadas imagens de epifluorescência (microscópios que usam fluorescência para gerar imagens) de amostras de respiradouros modernos de moldes cilíndricos compostos de oxi-hidróxido de ferro, formados por células bacterianas e considerados biogênicos. Assim, tubos e filamentos morfologicamente semelhantes em jaspes antigos podem ser tomados como bioassinaturas que podem sobreviver a altas temperaturas e pressões.

 

Controvérsias

Dois especialistas, que já relatam achados semelhantes, disseram que não estão totalmente convencidos dos resultados. Eu diria que não são fósseis”, escreveu Martin J. Van Kranendonk, da Universidade de New South Wales, na Austrália, responsável pelos achados na Groelândia. “A evidências sugerem que as estimativas estejam superestimadas”.

 

Já Abigail Allwood, geóloga da NASA, disse que os autores produziram “um dos casos mais detalhados já feitos” para evidências de vida em rochas com mais de 3,5 bilhões de anos. Mas, “é uma reinvindicação extraordinária de ser feita que precisa de evidências ainda mais extraordinárias”, acrescentou.

 

Vida em Marte?

Os autores do estudo, por outro lado, acreditam que a descoberta pode sinalizar a existência de vida em outros planetas. Esses achados demonstram que a vida se desenvolveu na Terra em um momento em que Marte também tinha água em estado líquido em sua superfície, levantando questões emocionantes sobre a possibilidade de vida extraterrestre”, escreveram.

 

Portanto, esperamos encontrar evidências em Marte de mais de 4 bilhões de anos, se não a Terra pode ser considerada uma exceção especial”, acrescentaram. Eles explicaram que as características adicionais preservadas nas rochas, tais como grânulos de óxido de ferro e rosetas de carbonato, são indicativas de atividade biológica. “Coletivamente, essas observações são consistentes com uma biomassa oxidada e fornecem evidências de atividade biológica em ambientes submarinos/hidrotermais de mais de 3,77 bilhões de anos”, escreveram.

 

O estudo em questão foi publicado na revista Nature.

[ Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / Daily Mail ]

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