É possível ficar drogado, com efeitos alucinógenos, apenas escutando música?

de Redação Jornal Ciência 0

A dopamina é a substância liberada para causar a sensação de prazer.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Existem muitos fatores externos que podem influenciar essa ativação de recompensa cerebral de bem-estar, como música, sexo, chocolate, drogas e outras coisas. Porém, será que, assim como alguns tipos de drogas que causam dependência química, a música pode causar efeito semelhante? Existem teorias sobre ‘drogas sonoras’, que, além de estimularem o vício, supostamente poderiam causar alucinações.

Segundo algumas pesquisas, é possível que algumas músicas específicas possam causar certos distúrbios visuais, através de estímulos cerebrais. Um programa promete, inclusive, disponibilizar músicas que possam causar tais efeitos.

I-doser, virou moda entre os jovens, oferecendo áudios que prometem estimular prazeres como ‘primeiro amor’ e até mesmo ‘orgasmo’. Mais de um milhão de sons foram vendidos, desde então, que vão desde influenciadores de libido e humor a combatentes de insônia e intensificadores de efeitos de entorpecentes.

A pesquisadora Helane Wahbeh, da Oregon Health and Science University, explica que drogas sonoras representam batidas binaurais, ou seja, o confronto de duas ondas sonoras opostas. “Quando se escuta esses sons com fones de ouvido estéreo, o ouvinte sente a diferença entre as duas frequências”, explicou ela, justificando a ilusão causada como ‘barulhos do além’.

Segundo a teoria de Helane, o confronto de um tom de 400 hertz com um de 410 hertz, faz o ouvido humano escutar apenas 10 hertz, o que poderia alterar o estado de consciência, por “arrastamento das ondas cerebrais”, que acrescentaria o som no ritmo sincronizado das ondas do cérebro. Wahbeh e sua equipe resolveram estudar a teoria, mas não notaram alteração alguma. 

A Universidade do Sul da Flórida, nos EUA, realizou um estudo para analisar as batidas binaurais e sua influência na concentração de crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas não encontrou resultados positivos.

De acordo com Norman M. Weinberger, professor e pesquisador de neurobiologia e comportamento da Universidade da Califórnia, “apesar da falta de comprovação científica da música como droga, ela pode influenciar níveis de dopamina, melhorando o humor”.

Paul Doering é um pouco mais cético. O professor de Farmácia da Universidade da Flórida diz que o I-doser nada mais é que um ‘placebo’, e os sons funcionam apenas pelo conceito que as pessoas tentam colocar na prática. Mesmo assim, o dono do site, Nick Ashton, afirma que os áudios possuem, no mínimo, 80% de taxa de sucesso.

Jose Szapocznik, do departamento de Medicina da Universidade de Miami, diz que, apesar de não ter influência psicológica comprovada, as ‘drogas digitais’ oferecem riscos aos jovens por conta da iniciativa deles em procurá-las, o que deve ser analisado pelos pais. “Quando seu filho está à procura de um estado alterado de consciência, porque está entediado ou porque o mundo é doloroso para ele, deve ser motivo de preocupação dos pais”, concluiu.

[ FonteNews ]

[ Foto: Reprodução / Pixabay ]

Jornal Ciência