América Latina pode ser o berço da nova pandemia global e os morcegos têm papel crucial neste risco

de Merelyn Cerqueira 0

Pesquisadores da ONG EcoHealth Alliance, com sede em Nova York, realizaram um estudo, publicado na revista Nature, sobre os vírus que mais afetam os mamíferos, a fim de saber onde estão localizadas as potenciais ameaças de uma pandemia global.

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Os resultados revelaram que a situação da América Latina é a mais preocupante, e a culpa é dos morcegos, de acordo com informações da CNBC.

O estudo, que levou em conta todas as regiões do mundo, listou como as ameaças ainda desconhecidas podem prejudicar a vida humana na Terra, bem como quais espécies são mais passivas de transportar vírus com potencial de se espalhar pelo mundo.

Logo, eles verificaram que morcegos são os mamíferos mais propensos a transportar doenças para os humanos.

Segundo Peter Daszak, presidente da ONG, atualmente ainda existem muitos vírus em todo o m

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undo que não foram descobertos. Considerando que as doenças mais mortais são transmitidas para nós por meio dos animais, não é surpresa que o mundo tenha visto um aumento relevante nos números de vírus zoonóticos. E o objetivo do estudo era determinar exatamente os locais onde eram mais propensas as pandemias.

“Se você é tem uma organização que está fazendo vigilância para parar o próximo Ebola – e sabemos que há cem outros vírus Ebola que ainda não foram descobertos – este estudo servirá para dizer onde eles estarão“, disse Daszak.

“E então, você pode direcionar seus programas para examiná-los, determinando se é provável que infectem mais pessoas”.

Geograficamente, os pontos mais preocupantes foram considerados como as regiões tropicais do mundo, como América Central e do Sul, África Ocidental e Central e Sudeste Asiático. Isso ocorre porque é justamente aí onde habita a maior biodiversidade do planeta, consequentemente também as espécies que têm o maior risco de transportar e transmitir vírus para humanos.

Uma das descobertas mais impressionantes é que os morcegos foram marcados como os animais com uma proporção significativamente maior de carregar doenças zoonóticas, quando comparados a qualquer outro grupo de mamíferos.

“É meio engraçado”, disse Daszak. “Nós estamos debatendo isso há anos e eu tenho dito que não há evidências de que os morcegos carregam mais doenças, mas o estudo provou que eu estava errado”.

Os morcegos são responsáveis por transmitir a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), o vírus Ebola e muitos outros. No entanto, os cientistas ainda não sabem dizer o que torna estes animais tão extraordinariamente propensos a carregarem doenças.

Pode ser que a resposta esteja no fato de que morcegos vivam em colônias tão grandes e por isso são mais capazes de desenvolver imunidades especiais a essas doenças.

Além disso, eles também estão relacionados aos seres humanos, o que pode explicar por que podem transmiti-las para nós tão facilmente.

Os morcegos também são a única espécie de mamífero voador, e para que tenham conseguido tal habilidade, pode ser que tenham que pagar algum preço evolutivo, como um sistema linfático mais fraco, sugeriu Daszak.

Também, o motivo pode estar relacionado com o fato de que são animais migratórios e, portanto, mais prováveis de entrarem em contato com diferentes doenças.

Logo, isso significa que regiões onde os morcegos habitam – particularmente a América do Sul, Central e partes da Ásia – são lugares mais propensos a esconder um número maior de vírus potencialmente prejudiciais que ainda não foram descobertos.

No entanto, Daszak pontuou que a culpa não é unicamente dos animais. De fato, os seres humanos se colocam em risco quando se aventuram em regiões onde essas espécies vivem, quando compram animais selvagens por meio do comércio ilegal, quando consumem carne de caça, desmatam ou ocupam habitats utilizados pela espécie. 

“Se não construirmos estradas em floresta ou caçarmos, então não corremos o risco de pegar esses vírus”, disse ele. “Eles simplesmente não terão a oportunidade de entrar nas pessoas”.

Por outro lado, espécies de primatas, como os macacos, foram colocadas em segundo lugar, juntamente com roedores como portadores mais prevalentes de doenças zoonóticas.

“Se você quiser prever a próxima pandemia, poderia estudar apenas morcegos, primatas e roedores, e assim cobriria muitos riscos”, concluiu Daszak.

Fonte: CNBC Fotos: Reprodução / CNBC

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