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Você sabia que nem todos os psicopatas são criminosos?

de Merelyn Cerqueira 0

O que define um psicopata? Na verdade, o termo muita das vezes é usado de forma errada, o que faz da personalidade psicopática, um dos transtornos mais incompreendidos pela humanidade. De acordo com uma reportagem publicada pela Revista Mente e Cérebro, a psicopatia consiste em um conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos.

Os psicopatas, a princípio, podem ser encantadores, praticamente os mestres da “primeira impressão”. No entanto, quando são conhecidos mais a fundo, são caracterizados como pessoas egocêntricas, desonestas, insensíveis, que não sentem culpa e são indignas de confiança. De acordo com algumas estimativas, cerca de 1% da população em geral é psicopata, e por razões pouco compreendidas, a maioria é do sexo masculino.

Porém, esses números provavelmente não capturam o total de pessoas com algum grau de psicopatia. Uma vez que traços da personalidade psicopata – como mentir constantemente – podem fazer com que pessoas sejam consideradas psicopatas, mesmo que não preencham todos os critérios do transtorno.

A real existência do transtorno já foi muito comentada entre os estudiosos, sendo um tema muito controverso. Alguns insistem que nunca viram, enquanto outros acreditam que o conceito é ilógico. Em 1941, o psiquiatra americano Hervey Cleckley foi um dos primeiros a destacar essa condição em seu clássico livro “A máscara da sanidade”. De acordo com ele, “o psicopata é uma criatura híbrida vestindo um véu envolvente que serve para esconder seu profundo, emocionalmente empobrecido e perturbado coração”. Aos olhos de Ckeckley, os psicopatas são encantadores, autocentrados, desonestos, livres de culpa, insensíveis e independentes. No entanto, o psiquiatra também menciona o fato de que alguns indivíduos sejam bem-sucedidos no âmbito interpessoal e ocupacional, pelo menos a curto prazo.

Em artigo em 1946 ele esquematizou sua teoria de forma que o caráter desses indivíduos pudesse ser compreendido. Segundo ele, “um psicopata frequentemente ultrapassará 20 vendedores rivais ao longo de um período de seis meses, se casará com a garota mais desejável da cidade ou será eleito em sua primeira aventura política”.

Um estudo realizado na Universidade da Pensilvânia na década de 90, visou recrutar homens que deixavam suas fichas em agências de trabalho temporário. Depois de identificar os que estavam mais propensos aos critérios de psicopatia, eles compararam os 26 trabalhadores selecionados (provisoriamente considerados como psicopatas bem-sucedidos) a 13 criminosos condenados por um ou mais crimes. Em suma, o experimento constatou que ansiedade social e o controle de impulsos podem explicar o porquê de alguns psicopatas conseguirem ficar longe de problemas.

Não surpreendentemente, os psicopatas são mais propensos a cometer crimes. Eles quase sempre entendem que suas razões são erradas, mas não se importam. Ao contrário da crença popular, apenas uma minoria deles é violenta. Nesse caso, muitos deles são capazes de usar a ousadia (um traço psicopático) para alcançar sucesso profissional. Esses indivíduos geralmente estão presentes em determinados nichos profissionais, tais como política, negócios, aplicação da lei, combates de incêndio, operações especiais, serviços militares e esportes de alto risco.

Sendo assim, apesar da percepção popular, a maioria dos psicopatas não são assassinos ou psicóticos. Muitos deles vivem com sucesso entre o resto de nós, usando seus traços de personalidade (como carisma, audácia, ousadia e resiliência emocional) para conseguir o que desejam, mesmo que por muitas das vezes façam isso à custa de outros. Contudo, todos os psicopatas só serão criminosos se você estiver olhando eles atrás das grades, ou quem sabe, se estiver na mira de um que esteja tentando te matar.

[ IFLS ] [ Foto: Divulgação ]

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