É “quase impossível” combater nuvem de gafanhotos sem agressão ambiental, diz especialista

de Redação Jornal Ciência 0

Uma nuvem de gafanhotos foi identificada na província de Entre Ríos, na Argentina, nas proximidades com o Rio Grande do Sul e o Uruguai, e volta a preocupar as autoridades brasileiras.

Com a proximidade de uma nuvem de gafanhotos voltar a se aproximar do Brasil, as autoridades consideram o despejo de agrotóxicos como a principal forma de combater o problema, o que, segundo especialista, é muito prejudicial ao meio ambiente.

A professora do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Amanda Cruz Mendes, em entrevista à Sputnik Brasil, declarou que é “muito difícil” encontrar um método para dispersar os gafanhotos sem prejudicar o meio ambiente.


“O combate à nuvem já formada é muito difícil de se fazer, é pouco eficiente. Infelizmente é feito com produtos químicos que agridem o meio ambiente, então eu poderia dizer que é quase impossível fazer esse controle químico da nuvem já formada, sem que tenha agressões ambientais”, declarou.


De acordo com ela, um dos produtos usados para combater os gafanhotos também atacam abelhas, que são artrópodes, como os gafanhotos.

Amanda Cruz Mendes observou que este procedimento é “bastante prejudicial, já que as abelhas auxiliam na polinização e elas garantem a saúde das próprias lavouras”. “Então as próprias lavouras dependem das abelhas, você pode estar combatendo um problema e causando outro”, explicou.

De acordo com a especialista, existem níveis de concentração desses produtos, desses inseticidas, que são recomendados pelos órgãos responsáveis.

“Mas o ideal mesmo é não usar. É claro que quando o problema está muito intenso, tem que se avaliar o custo-benefício de se adotar esse tipo de medida. O risco é de destruição das lavouras, são animais herbívoros, ou seja, eles se alimentam de plantas e são muito numerosos, então eles podem comer uma quantidade muito grande de plantas em pouco tempo”, explicou.

Segundo a especialista, “a melhor forma de combater é tentar impedir a formação da nuvem, monitorando os indivíduos jovens”, pois é possível reconhecer quando as formas jovens estão propensas a formar uma nuvem.

“Para a formação da nuvem é preciso ter ocasiões especiais e é possível reconhecer quando isto está para acontecer, quando você tem um monitoramento […] Nesse caso é recomendado fazer o controle biológico, através de fungos que atacam insetos. Então eles poderiam atacar esses insetos ainda em sua forma jovem e tentar impedir a formação da nuvem”, completou.

Fonte: Sputnik News Fotos: Reprodução / Sputnik News

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