Durante reforma, operários encontram caixão de criança em perfeito estado e descobrem algo ainda mais surpreendente

de Merelyn Cerqueira 0

Uma escavação realizada em 2016 em uma casa de San Francisco (EUA) construída em 1936, revelou o corpo de uma criança do sexo feminino essencialmente intacto.

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A descoberta foi feita por operários de construção, que realizavam uma reforma no local. Através da superfície do vidro do caixão, que cheirava à lavanda, era possível observar a criança loira em um vestido branco feito à mão e decorado com laços.

Seu cabelo havia sido adornado com uma rosa e folhas de eucalipto, o que indicava que ela havia sido enterrada com grande cuidado.

O achado fez com que os donos da residência entrassem em contato com a ONG Garden of Innocence, que costuma cuidar casos que envolvam crianças mortas sem identificação ou que foram abandonadas.

Cerca de 34 voluntários então deram início a uma busca pela identidade da criança desconhecida. Eles estudaram um total de 29.982 registros funerários, comparando mapas entre 1870 e 2015. Também foram verificados registros por meio de árvores genealógicas e análises de DNA.

Finalmente, e por meio de um parente próximo vivo chamado Peter Cook (seu sobrinho-neto), eles descobriram que a criança era Edith Howard Cook, uma menina que nasceu em 28 de novembro de 1873 e morreu em 13 de outubro de 1876, aos três anos.

A causa da morte, segundo consta, teria sido de marasmo ou desnutrição seca – uma forma crônica de desnutrição na qual a deficiência de carboidratos e lipídios causa pela perda muscular e falta de gordura subcutânea.

O corpo se manteve preservado por mais 140 anos porque o caixão era feito de chumbo e bronze e estava hermeticamente vedado.

Isso significa que ali não entrava e nem saía ar, o que consequentemente impediu a ação dos microrganismos do processo de decomposição. Logo, quando foi encontrada, Edith estava tão bem que parecia apenas apreciar um sono profundo.

A área em que a casa fora construída, no distrito de Richmond, no final do século 19 abrigou uma série de cemitérios. Com a expansão da cidade de San Francisco, as autoridades aprovaram leis que regulamentavam a construção de casas nesses locais, mas primeiro os mortos deveriam ser transferidos. 

A casa foi construída sobre o antigo cemitério de Odd Fellows, fechado durante o final do século 19, com todos seus corpos transferidos para a cidade vizinha de Colma. No entanto, por alguma razão desconhecida, um caixão acabou ficando para trás.

A ONG ofereceu no ano passado um novo enterro à Edith. O caso comoveu tanto a cidade que cerca de 140 pessoas compareceram à cerimônia. Em sua nova lápide fora gravado o lema da Garden of Innocence: “Se não houver luto, ninguém se lembrará”.

Fonte: Diário de Biologia Fotos: Reprodução / Diário de Biologia

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