Crianças que testemunham violência doméstica são mais propensas a desenvolver traços psicopáticos

de Merelyn Cerqueira 0

De acordo com um novo estudo publicado na revista Law and Human Behavior, crianças que testemunham abuso doméstico tendem a ser mais propensas a desenvolver traços psicopáticos durante a idade adulta.

Tal constatação, conforme informado pela Live Science, foi feita a partir de análises realizadas com mais de 120 detentos.

Os pesquisadores questionaram os presos a respeito do testemunho de violência doméstica durante a infância.

Embora o termo “psicopata”, por vezes seja usado incorretamente para descrever uma pessoa cruel, para a psicologia trata-se de um problema muito mais específico.

Basicamente, os traços que indicam uma personalidade psicopata incluem um senso irrealista de superioridade sobre outras pessoas, falta de empatia, tendência para manipulação e ações antissociais, como crimes.

De acordo com o coautor do estudo, Michael Koenigs, professor associado de Psiquiatria na Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Winsconsin, pesquisas anteriores já haviam associado à experiência de abuso infantil a um maior risco para o desenvolvimento de traços psicóticos.

No entanto, o estudo mais recente é o primeiro a mostrar que até mesmo o testemunho dessa violência pode resultar no problema.

Segundo a autora do estudo, Monika Dargis, doutoranda em Psicologia pela Universidade de Wisconsin, a decisão de analisar traços psicopáticos nos 127 presos veio pelo fato de que a psicopatia é muito mais comum na população carcerária em comparação à população geral. Além disso, os pesquisadores poderiam entender melhor as apresentações mais graves do transtorno.

Os cientistas então definiram o nível de psicopatia dos prisioneiros de acordo com uma escala que ia de 0 a 40 – com uma pontuação de 30 ou mais para que a pessoa fosse definida como uma verdadeira psicopata.

Segundo eles, os resultaram indicaram que um total de 51 prisioneiros, dos 127 analisados (cerca de 40%) foram diagnosticados como psicopatas.

Descobriu-se que aqueles que presenciaram pais ou irmãos sofrendo violência doméstica ainda pequenos foram os que apresentaram uma maior probabilidade de pontuações mais altas na escala, em comparação aos presos que não testemunharam os abusos.

Contudo, conforme explicado por Dargis, embora o estudo aponte a existência de uma ligação entre testemunhar a violência doméstica na infância e a psicopatia, os resultados não necessariamente apontam evidências de causalidade.

Ainda, os mecanismos por trás dessa potencial ligação não estão claros. Mas, os pesquisadores consideram que é possível que, ao observar esse tipo de comportamento manipulativo e coercitivo em casa, as crianças possam copiá-los.

Também é possível que as crianças aprendam a manipular e mentir porque não querem se tornar novas vítimas da violência.

Em outras palavras, elas desenvolvem comportamento psicopático para evitar se tornarem alvos dos abusos que outrora afetaram os membros de sua família. 

Uma das limitações do estudo foi que os pesquisadores coletaram os dados em um único recorte no tempo, portanto, não foram capazes de examinar uma potencial relação de causa entre o testemunho da violência doméstica e psicopatia.

Eles esperam que pesquisas futuras, conduzidas em longo prazo, examinem se a questão pode agravar ou contribuir para o problema.

Fonte: Live Science / NCBI / NCJRS Foto: Reprodução / BK Reader

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