Diferente de tudo que você, provavelmente, já viu, este pequeno animal possui elementos que se confundem entre si.

 

Olhando apenas seu corpo, você diria que é um rato, mas ao notar suas pernas, assemelha-se muito com um mini Velociraptor. Na verdade, trata-se de um Jerboa, o nome popular dado aos roedores da família Dipodidae. Possui orelhas longas, um rabo comprido e é saltitante como um Canguru. Atualmente, ele corre grande risco de extinção onde vive, no Deserto de Gobi, na Mongólia, na China e também no nordeste da África.

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Apesar de parecer ser totalmente invertido, o joelho do Jerboa possui uma longa seção no osso da ‘canela’, composta por ossos que se unem aos metatarsos mais longos no centro do seu pé, onde apenas seus dedos fazem contato com o solo.

 

Alguns possuem tufos de cabelos em seus dedos. Essas fibras rígidas agem um pouco como raquetes, dando ao roedor uma vantagem extra nos desertos áridos onde vivem. As pernas alongadas conferem uma velocidade e habilidades de pulo incríveis. “Este animal tem o tamanho de um punho humano, mas alguns espécimes podem pular facilmente 1,8 metros de altura”, conta a biomecânica Talia Moore, da Universidade de Harvard, nos EUA, que estuda sua locomoção.

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Sua longa cauda também desempenha um papel no equilíbrio. Moore e outros pesquisadores precisam realizar mais pesquisas para determinar exatamente os mecanismos do corpo dos Jerboas, mas pela manipulação de sua cauda, ​​ela provavelmente pode ajudá-lo a estabilizar-se no deserto, assim como faziam o velociraptors.

 

Liderando a pesquisa sobre a utilidade das caudas de Jerboa, um francês foi longe demais em seus experimentos. “Houve observações históricas, onde, em 1800, este cruel francês cortou a cauda de um Jerboa, e ele simplesmente não foi capaz de fazer qualquer coisa, a partir daí. Ele não poderia sequer sentar-se e saltar”, disse Moore.

 

Os Jerboas também são vegetarianos, especificamente vegetarianos crepusculares, significando que eles se alimentam no crepúsculo, principalmente de sementes, que lhes dão os nutrientes necessários e a quantidade suficiente de água, tanto que eles nunca precisam bebê-la.

 

O maior problema é que eles compartilham o habitat com o Gerbil (rato-do-deserto), e há competição pelas sementes. Isso acaba sendo problemático nos recursos limitados do deserto. Ambas as espécies têm um outro problema sério: as aves de rapina. No entanto, enquanto o Gerbil tende a conviver em relativa segurança no bosque, o Jerboa se arrisca mais.

 

Aves de rapina noturna dão apenas um único golpe e os jerboas precisam prever onde estes predadores estarão indo. Por isso, se o jerboa faz algo que é imprevisível, como saltar para cima ou saltar em um zig-zag, torna-se muito difícil para as aves de rapina traçar um curso de interceptação eficaz”, explicou a especialista.

 

Assim, o Gerbil e o Jerboa podem ocupar o mesmo nicho, sem concorrentes, explorando diferentes pequenos habitats. Na verdade, se você colocar um Jerboa e um Hamster em uma gaiola, eles não se importarão um com o outro, o que não aconteceria com duas espécies diferentes que lutam pelos mesmos recursos na natureza.

[ Wired ] [ Fotos: Reprodução / Wired ]

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