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Cientistas descobrem que uma proteína pode ser mais eficaz que antidepressivos

de Julia Moretto 0

Pesquisadores seguiram o caminho dos medicamentos antidepressivos – como o trabalho Prozac – percorrem, e ao fazê-lo identificaram uma via para o tratamento para depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental.

Sua pesquisa também revelou que uma proteína do cérebro chamada noggin pode ser mais eficaz do que os medicamentos existentes para ativar esse mecanismo, e, portanto, poderia fornecer a base para futuros medicamentos.

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Vários antidepressivos são conhecidos por estimularem a criação de novos neurônios – a neurogênese – em uma região do cérebro conhecida como hipocampo, que está envolvida na memória e na emoção. No entanto, os cientistas têm estudado para descobrir exatamente como essas drogas provocam esse efeito.

Para analisar, uma equipe de pesquisadores medicou ratos de laboratório com fluoxetina – o princípio ativo do Prozac – e descobriu que, entre outras coisas, o medicamento bloqueou a atividade da proteína morfogenética óssea (BMP). Normalmente, quando em contato com a BMP certos receptores cerebrais desencadeiam uma série de acontecimentos que contribuem para a criação de novos neurônios.

A descoberta, publicada pela revista Molecular Psychiatry, revela que a fluoxetina causa este efeito, aumentando a produção da proteína noggin e inibindo a BMP. Essa descoberta levantou a possibilidade de a própria noggin ser usada como um antidepressivo. Em uma tentativa de esclarecer o mistério, eles injetaram noggin nos cérebros de ratos que tinham sido modificados para sofrerem de depressão. Essa prática provocou um grande aumento na neurogênese – superior ao visto com a maioria dos medicamentos antidepressivos. Além disso, houve uma diminuição significativa nos sintomas depressivos.

Em um dos testes, os pesquisadores seguraram os camundongos pela cauda e observaram se eles tinham a motivação para tentar se libertar ou se simplesmente desistiam. Depois de ser injetados com noggin, os ratos deprimidos ficaram muito mais seguros do que aqueles que não receberam uma dose de proteína, indicando que eles se tornaram menos desamparados.

Em outra experiência, os ratinhos foram colocados em um labirinto com partes cobertas e abertas. Ficar nas áreas protegidas em vez de explorar as regiões expostas é um sinal de ansiedade, e essa tendência foi menos observada em ratos que receberam o medicamento.

Ao todo, os autores do estudo acreditam que através da inibição de sinalização BMP, a noggin seja responsável pelos efeitos antidepressivos de drogas como o Prozac, e que utilizar este caminho poderia produzir tratamentos mais eficazes para a depressão.

[ IFL Science ] [ Fotos: Reprodução / Pixabay / Wikimedia ]

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