Astrônomos detectaram estrela anã branca “canibal”

de Merelyn Cerqueira 0

Uma equipe internacional de astrônomos fez uma descoberta relevante ao observar um fraco sistema binário, conhecido com J1433, localizado a 730 anos-luz de distância.

 

O sistema em questão consiste em um objeto de baixa massa – cerca de 60 vezes a massa de Júpiter – em uma órbita extremamente curta (78 minutos) em torno de uma anã branca – estrela menor e menos brilhante do que as mais comuns, resultado de uma estrela que ficou sem combustível nuclear.

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Assim, e devido a sua proximidade, a anã branca retirou cerca de 90% da massa e brilho de sua vizinha, transformando-a em uma estrela anã marrom. Dessa forma, o núcleo quente e denso foi tudo o que restou. Essas pequenas estrelas possuem, aproximadamente, a mesma massa do Sol,mas com o raio da Terra, o que significa que são incrivelmente densas.

 

A gravidade na superfície de uma anã é de mais de 350.000 vezes a da gravidade na Terra. Elas são densas porque seus elétrons ficam “esmagados”, criando o que o que é chamado de “matéria degenerativa”. Isso significa que uma anã branca mais maciça possui um raio menor do que a sua massa.

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Anãs marrons são geralmente estrelas falhas, que começaram a se formar, mas nunca conseguiram reunir energia suficiente para iniciar o processo de fusão nuclear. No entanto, neste caso relatado pelo Mail Online, a anã marrom do sistema nasceu plena e com brilho direito, mas perdeu quase toda sua massa atual em razão de bilhões de anos de “canibalismo” estelar.

 

O estudo, publicado na revista Nature, usou o instrumento X-Shooter no Very Large Telescope (VLT), em Cerro Paranal, no Chile, a fim de detectar e caracterizar um sistema que tenha sobrevivido a uma transição tão traumática. A partir da dissecação da luz desse sistema binário, os cientistas conseguiram descobrir um fraco sinal da anã marrom. Os astrônomos também usaram dados prévios para mapear a temperatura da superfície do outro lado da anã marrom. Eles descobriram que o lado escuro era 57°C mais quente, em média, do que o lado “branco”com 200 graus Celsius.

 

O estudo envolveu astrônomos das universidades de Keele, Manchester, Oxford, Sheffield, Southampton e Warwick (Reino Unido), o Instituto de Astrofísica das Canárias (Espanha) e Hamburger Sternwarte (Alemanha). E foi financiado pela Royal Astronomical Society, European Union Eleventh Framework Programme, Conselho Europeu de Investigação, CONACyT (do México) e da Universidade de Southampton.

[ Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / Daily Mail ]

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