Poliamor: o que leva algumas pessoas a desistir da monogamia

A não-monogamia consensual requer um acordo entre as partes. O que dizem os especialistas sobre quem escolhe essas relações e sobre os que preferem apenas um parceiro?

de Redação Jornal Ciência 0

Decidir quebrar o vínculo monogâmico em direção à não-monogamia consensual é dar um grande passo que merece ser pensado, discutido com o casal; avaliando benefícios e riscos, mas acima de tudo preparando-se para enfrentar o desafio de sustentar o acordo sem violar a diretriz formal e ética de não mentir.

Apenas este tipo de abertura é necessário um acordo entre as partes para ter relações fora do casal (relações extraconjugais) sem ocultá-las como se faz em uma relação infiel. Também deve ficar muito claro que ciúme, censuras, controle sobre a vida do outro, estão fora deste acordo.

O casal se abre pelo desejo de fazê-lo, não pelo domínio de um sobre a decisão do outro, para não gerar conflito, para não negligenciar os compromissos com os filhos ou com o outro.

Uma relação consensual não-monogâmica requer assumir a responsabilidade de se cuidar e cuidar um do outro para desfrutar a sexualidade e os sentimentos que surgem com os novos vínculos.

O conceito de compersão

É um termo conhecido e usado pelo coletivo poliamoroso e refere-se aos sentimentos positivos que são vivenciados ao ver seu parceiro feliz, neste caso exibindo seu carinho e sexualidade com outras pessoas.

Embora o termo possa ser usado para relacionamentos amorosos não eróticos, por exemplo: pais que se sentem orgulhosos de ver seus filhos felizes, etc, é muito frequente na fala de pessoas poliamorosas como o oposto do ciúme.

No inglês coloquial, a palavra flubbry se refere a sentir-se feliz pelo bem-estar de seus outros amores. A compressão pode coexistir com o ciúme, mesmo para alguns autores o mesmo sentimento de compressão inclui o ciúme, mas, neste caso, em vez de gerar raiva ou rejeição, causa mais prazer e excitação.

Compreenda a não-monogamia consensual

O consenso da relação não-monogâmica baseia-se em abrir o casal a outras relações afetivas ou amorosas (casais extraconjugais) sem ocultá-las. Casais com relacionamentos não-monogâmicos, consensuais e não exclusivos sofrem mais condenação moral do que casais monogâmicos, que recebem menos críticas e mais valor social.

Além disso, acredita-se que essa alternativa seja consequência direta da infidelidade de uma das partes ou de ambas ou de que o casal está entediado e não sabe como sair da monotonia.

Embora possam ser causas relacionadas, a realidade subjacente é mais profunda. Para investigar os motivos que levam as pessoas a optarem por uma relação consensual de não-monogamia, leva-se em consideração a Teoria da História de Vida (LHT), ou seja, o comportamento sexual, reprodutivo, parental e familiar de acordo com os desafios físicos e sociais impostos ao assunto ao longo do desenvolvimento.

De acordo com um estudo publicado em 2020 na Frontiers of Psychology em uma amostra de pessoas monogâmicas e não-monogâmicas, estas últimas apresentaram traços afetivo-sexuais como:

1 – “Estou em um relacionamento primário com uma pessoa (ou seja, um relacionamento emocional / sexual caracterizado por um alto grau de compromisso, objetivos de vida compartilhados e afeto, e em relacionamentos secundários com uma ou mais pessoas, ou seja, um relacionamento(s) emocional / sexual próximo e contínuo (s), mas com um grau de comprometimento menor do que um relacionamento primário”, com 93 pessoas foram consultadas.

2 – “Estou igualmente envolvido com apenas duas pessoas”, com 31 participantes.

3 – “Estou igualmente envolvido com mais de duas pessoas”, com 13 participantes.

4 – “Estou envolvido em uma ‘rede’ polivalente, ‘família’ ou ‘rede íntima’, ou seja, uma rede social resultante de relacionamentos amorosos entre você, seus parceiros românticos, seus parceiros românticos etc”, com 46 participantes.

Histórias de vidas lentas e rápidas

Para essa teoria, haveria duas formas adaptadas ao ambiente que predizem os comportamentos das pessoas de acordo com as formas de enfrentar as situações que lhes são apresentadas.

Pessoas com desenvolvimento mais lento buscam a segurança do conhecido, é difícil para elas se aventurarem em novas situações, principalmente se o ambiente for mais previsível, elas têm menos filhos e mantêm seus parceiros por mais tempo.

O contrário acontece com personalidades em rápido desenvolvimento, é tratado como se o ambiente não fosse muito previsível, então eles têm mais capacidade de se aventurar no novo, para enfrentar situações de risco, pontua mais alto em ousadia e desinibição e têm mais filhos e mais rotatividade de parceiros.

Relacionamentos consensuais não-monogâmicos têm estratégias de história mais rápidas do que relacionamentos monogâmicos.

O respeito pela visão moral de relacionamentos não-monogâmicos pode ser baseado na crença de que ter amor aberto e laços sexuais (sexualidade e romantismo irrestrito) os torna mais promíscuos, imorais, e os sujeitos que os escolhem são não confiáveis ​​e antiéticos. De acordo com diversos trabalhos que tratam do assunto, pode-se concluir que:

1 – Pessoas em relacionamentos consensual não-monogâmicos são mais propensos a desenvolver uma história de vida rápida do que aqueles em relacionamentos monogâmicos. Essa associação pode explicar o estigma moral em relação à MNC, na medida em que uma história de vida mais rápida está associada a comportamentos interpessoais antagônicos, competitivos e arriscados.

2 – Aqueles que criticam os relacionamentos não-monogâmicos acreditam que o envolvimento com múltiplos parceiros pode produzir relacionamentos transitórios, conflito social e transmissão de doenças; embora, como observado, essas características não sejam baseadas em dados reais, mas em crenças.

3 – Pessoas com relacionamento monogâmico devem manter seus parceiros mais do que os não monogâmicos, no entanto, estes últimos mantêm menos os seus parceiros secundários.

4 – No não monogamia, eles contam mais sobre suas experiências ao seu parceiro principal do que outros relacionamentos.

5 – Participantes de casais com a mente aberta não monogâmica consideram seu parceiro principal mais desejável a longo prazo do que para novos relacionamentos.

6 – Os participantes de casais monogâmicos relataram menos abertura e comunicação do que os não monogâmicos, porém eram menos francos e comunicativos com relacionamentos secundários.

7 – Os relacionamentos não consensuais têm vida longa, eles podem melhorar a satisfação e o funcionamento do relacionamento e não é mais provável que envolvam práticas sexuais inseguras do que relacionamentos monogâmicos.

8 – O estigma moral associado a relacionamentos abertos decorre de associar esses laços a uma vida sexual promíscua e traços de história rápidos e prejudiciais para a sociedade.

9 – Adição, as crenças sociais a este respeito acrescentam: competição intra-sexual, ansiedade ciumenta, abandono do parceiro, abandono dos filhos e transmissão de doenças.

10 – Identificar e quebrar essas crenças com argumentos sólidos torna a CNM visível e reduz o preconceito social. 

Fonte(s): Infobae Imagens: Reprodução / Live Journal

 

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