Estudante alerta sobre uso de vapers e cigarros eletrônicos após ter pulmões colapsados

Vape é um aparelho usado para produzir vapor a partir de um líquido com cheiro agradável, mas que pode prejudicar a saúde

de Redação Jornal Ciência 0

Grace Johanna, uma estudante universitária do Reino Unido, usou as redes sociais para alertar outros jovens após ter seus pulmões colapsados depois de usar cigarros eletrônicos — também chamados de vaper.

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Nos últimos anos, cresce exponencialmente o número de pessoas adeptas aos aparelhos eletrônicos que liberam fumaça com agradável odor.

Considerados inicialmente como inofensivos, hoje geram controvérsia por inúmeras alegações de malefícios à saúde. Uma das vítimas mais recentes e famosas no Brasil foi o caso do cantor Zé Neto, que faz dupla com Cristiano, onde apresentou opacidade em vidro fosco nos pulmões, após uso de cigarro eletrônico.

Apesar de exalar cheiro atraente como de morango, melancia e tantas outras essências, estes aparelhos são alvo de estudos que demonstram não haver segurança para os usuários.

Após apresentar graves sintomas, Grace usou a rede social TikTok para divulgar um vídeo quando ficou internada por 4 dias no hospital após desenvolver pneumotórax espontâneo primário.

Em geral, um pneumotórax espontâneo primário ocorre mesmo quando o paciente não tem nenhuma doença pulmonar conhecida — o que pode ser ocasionado, entre outros fatores, pelo uso dos vapers ou cigarros eletrônicos.

O problema ocorre quando uma pequena ruptura em um dos pulmões, ou em ambos, deixa escapar ar que se acumula de forma anormal na pleura — membrana que reveste o interior da parede interna do tórax e que envolve os pulmões.

No vídeo, Grace mostra os exames de imagens que evidenciam o pneumotórax ocorrido, que ela atribui ao uso contínuo de vaper.

Grace comentou que estava internada no hospital uma semana antes com o primeiro pulmão colapsado, mas teve que ser internada novamente após o outro pulmão apresentar o mesmo problema e começar a tossir sangue.

Foi preciso uma cirurgia de emergência para estabilizá-la. “Eu me sentia como se estivesse me afogando, é como ser torturada. Eu nunca vou fumar de novo. Nunca na minha vida. Eu vou respeitar meu corpo”, salientou Grace que está traumatizada com o ocorrido.

Apesar da causa do pneumotórax espontâneo primário ser diversa, especialistas acreditam que o vaper ou cigarros eletrônicos estão contribuindo com os casos crescentes de problemas pulmonares registrados em todo o mundo.

Aumento nas vendas

A plataforma britânica, IndeJuice, de venda on-line de vapers, anunciou registro de aumento de 279% em suas vendas no último trimestre de 2021. Os sabores que mais conquistam os consumidores são os de melancia, maçã, mirtilo, goiaba e kiwi.

Em entrevista ao jornal The Mirror, o especialista Dr. Gareth Nye, professor e pesquisador da Universidade de Chester, comentou que existem estudos que mostram que vários líquidos usados nestes aparelhos são tóxicos e cancerígenos.

Ainda segundo ele, embora não exista monóxido de carbono e alcatrão (que são tradicionalmente encontrados em cigarros comuns), ainda há preocupação sobre outras substâncias químicas.

“Um estudo de 2018 mostrou que os usuários de cigarros eletrônicos tinham concentrações de metais e produtos químicos voláteis (tolueno, benzeno e dissulfeto de carbono) comparáveis ​​às dos fumantes. Estes são produtos químicos que causam danos pulmonares duradouros”, disse.

Ainda segundo o Dr. Gareth Nye, o vape mostra sinais de estar ligado ao câncer bucal da mesma forma que o cigarro.

“Resumindo — inalar produtos químicos nos pulmões que não deveriam estar ali, leva a uma reação do seu sistema imunológico que danifica o tecido pulmonar. Com o tecido pulmonar danificado, você não consegue obter oxigênio no sangue, além de fazer o coração trabalhar mais e o resto do corpo entrar em modo de sobrevivência”.

“Quanto mais tempo você fizer uso, pior será o impacto. Eu não ficaria surpreso se vermos uma geração inteira de pessoas com problemas pulmonares na próxima década”, finalizou.

Fonte(s): LADBible / LADBible / Mirror UK Imagens: Reprodução / TikTok

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